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Dario Fo pregou a criação de um teatro libertário

Nobel de Literatura, o autor, ator e diretor de teatro italiano, morto nesta quinta-feira, 13, valorizava a importância do ator em cena

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

13 Outubro 2016 | 08h25

Vencedor do Nobel de literatura de 1997, o autor, ator e diretor de teatro italiano Dario Fo - que morreu nesta quinta-feira, 13 - criava um trabalho peculiar no palco. Seus personagens, por exemplo, nasciam diretamente da situação, não sendo concebidos antes. Ao lado de sua principal colaboradora, a mulher Franca Rame, Fo valorizava a importância do ator em cena, apontado não apenas como meramente um intérprete mas especialmente um criador. 

Cada palavra dita em cena tem seu peso, pois os textos de Fo têm um face política, fortemente ligada à sua personalidade, e uma artística, renovadora e voltada ao passado. Autor de peças como Morte Acidental de Um Anarquista (sucesso no Brasil com Antonio Fagundes, Sérgio Britto e, ainda em cartaz, Dan Stulbach), Um Orgasmo Adulto Escapa do Zoológico (montagem-chave de Denise Stoklos), Brincando em Cima Daquilo (primeiro encenado por Marília Pêra) e Pegue e Não Pague (outro sucesso, com Gianfrancesco Guarnieri), Dario Fo ganhou o Nobel "porque seguiu a tradição dos trovadores medievais criticando o poder e restaurou a dignidade dos humilhados", segundo comunicado da academia sueca. 

De fato, por conta de sua irreverência, ele foi processado mais de 40 vezes por "delito de opinião" e ainda censurado pela direita. Franca Rame foi sequestrada e estuprada por um grupo fascista em 1973. Mesmo assim, no ano seguinte, ele montou seu teatro (Coletivo Teatrale da Comuna) em Milão, em um edifício abandonado - o Palazzina Liberty. Lá, sempre pregou a criação de um teatro libertário, que tratasse de temas muito próximos do cotidiano, como sexualidade, violência e dignidade. 

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