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Daniela Blois será a personagem principal em 'Gabriela – O Musical'

- Atualizado: 21 Janeiro 2016 | 21h 10

Espetáculo inspirado no livro de Jorge Amado e dirigido por João Falcão estreia no final de maio em São Paulo

Daniela Blois prepara-se para enfrentar um grande desafio em sua carreira: viver o papel principal de Gabriela - O Musical, espetáculo inspirado no livro Gabriela, Cravo e Canela, de Jorge Amado, que o diretor João Falcão estreia no fim de maio, em São Paulo.

Aos 26 anos, a cantora paraense que se apresenta em dupla na noite de Manaus foi a escolhida para viver o papel consagrado por Sônia Braga na TV e no cinema. “Minha aparência ajudou, mas acho que foi meu jeito de moleca que convenceu o João”, disse a futura atriz ao Estado. “Cada vez que cantava uma música nas audições, sentia que ele e a equipe gostavam.”

Ela foi a vencedora em duas etapas: na primeira seleção de mais de 700 currículos enviados à produção e depois, nas audições de dezembro, em São Paulo, era a que reunia mais atributos entre 50 selecionadas. “Dani apresentou o mistério da simplicidade”, resume Falcão. “Ela não tem experiência em musical e, por isso, canta sem técnica do gênero, como uma brasileira”, diverte-se.

Daniela Blois
Daniela Blois

A experiência de Daniela, de fato, é mais forte no canto. Em Manaus, tornou-se conhecida ao formar duplas e se apresentar em bares. Também integra um grupo de maracatu, Eco da Sapopema. “Sempre tive o cabelo grande, crespo e, quando era exibida a novela da Globo (em 2012), as pessoas me comparavam com Gabriela”, conta ela, que foi incentivada por vários amigos a tentar a sorte no musical. “Fui avisada da seleção de elenco por dois colegas, que me marcaram no Facebook.”

Nas audições de dezembro, ela foi chamada para cantar em três oportunidades. Na primeira, apresentou São Salvador (Dorival Caymmi) e Kukukaya (Cátia de França) e, na última, Imagina (Chico Buarque). “Na segunda vez, pediram uma canção que eu não conhecia, De Noite Na Cama (Erasmo Carlos)”, conta Daniela. Na verdade, não foi intencional, segundo Falcão. “Acreditei que fosse uma música conhecida de todos.”

A cantora, porém, teve uma atitude que lhe garantiu muitos pontos na disputa pelo papel: pediu ao violonista que tocasse alguns acordes e, minutos depois, apresentou a canção quase sem erros. “Daniela não se desesperou - ao contrário, tornou a situação favorável para ela”, comenta Falcão, satisfeito.

Com produção da Caradiboi Arte e Esporte em associação com a Opus Promoções (o que vai permitir que o espetáculo depois estenda temporada nos teatros da Opus), o projeto de Gabriela - O Musical foi autorizado a captar R$ 9,4 milhões em 2012, mas a produção ficou em suspenso até ser retomada no fim de 2015. 

“Fazer um musical sobre Gabriela no Brasil é como fazer um musical sobre Marilyn Monroe nos Estados Unidos”, acredita. Falcão é autor da versão do romance e já cuida da trilha sonora, que promete ser eclética, ou seja, aberta a tudo que foi feito desde que o Brasil começou a compor, dos primeiros lundus aos sons mais contemporâneos.

Transformar o clássico romance de Amado em musical era um projeto antigo de Falcão, desde que ele assistiu à primeira versão para a TV, em 1975, que consagrou Sônia Braga no papel principal. “Sônia, na verdade, estabeleceu um perfil para Gabriela do qual é difícil fugir”, comenta Falcão, que não se assusta com nenhuma comparação por um motivo: a diferença de linguagem. “O cinema, que também trouxe Sônia no papel de Gabriela, e a TV pedem montagem mais realista, o que não acontece no teatro, no qual o foco está mais na representação livre de amarras”, justifica. 

Lançado em 1958, Gabriela, Cravo e Canela solidificou a fama de Jorge Amado como excelente prosador. “Ele fez a fusão amorosa entre o erudito e o popular, erotizou a narrativa, trouxe à tona questões sobre o não sectarismo, a miscigenação, a luta contra o preconceito e contra a pseudoerudição europeia”, comenta Ana Maria Machado no livro Romântico, Sedutor e Anarquista - Como e Por Que Ler Jorge Amado Hoje (Objetiva).

O romance de Amado se passa na cidade baiana de Ilhéus, na década de 1920, e acompanha o romance entre o sírio Nacib e a mulata Gabriela. Com sua sensualidade inocente, ela não apenas conquista o coração do comerciante como também seduz um sem-número de homens da cidade, colocando em xeque a férrea lei local que exigia que a desonra do adultério feminino fosse lavada com sangue.

Na televisão, o romance inspirou uma telenovela produzida pela extinta TV Tupi, em 1960, com adaptação de Zora Seijan e Janete Vollu no papel principal (Paulo Autran viveu Mundinho Falcão). Em 1975, porém, surgiu a versão mais famosa, na Globo, com adaptação de Walter George Durst e Sônia Braga como Gabriela. Na mesma emissora, foi exibida uma nova versão, em 2012, com adaptação de Walcyr Carrasco e Juliana Paes como protagonista. No cinema, Bruno Barreto filmou em Paraty, em 1983, com Sônia repetindo o papel e Marcello Mastroianni como Nacib.

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