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Coreógrafa Maguy Marin apresenta 'BiT', dentro da programação da mostra France Danse

Programação terá companhias e artistas franceses

Juliana Ravelli, ESPECIAL PARA O ESTADO

06 Outubro 2016 | 04h00

O ritmo sempre integrou o alicerce das criações da bailarina francesa Maguy Marin, um dos maiores nomes da dança contemporânea mundial. Mas foi em BiT, sua obra de número 49, que a coreógrafa se aprofundou em uma questão que só parece simples: o que ele é? A complexidade surge quando se olha para o ritmo como um componente que cadencia a humanidade contemporânea. E como viver juntos com tantos ritmos diferentes? Observar o mundo e traduzir pequenas – mas profundas – porções dele é o que torna o trabalho de Maguy grandioso.

BiT, que estreou em 2014 no Teatro Garonne de Toulouse, na França, será apresentado nesta sexta, 7, e sábado, 8, no Sesc Pinheiros, dentro do festival France Danse. “É uma obra que coloca as pessoas dançando juntas, vivendo juntas, podemos dizer, e que são perturbadas por algo rítmico”, disse Maguy, por telefone, ao Estado. “Hoje, todos dançam sozinhos, não se tocam. Tento trabalhar com isso. Quando você dança com as pessoas é como na vida, você precisa ter suas próprias sensações, mas, ao mesmo tempo, você lida com as dos outros. Porque você depende da pessoa que está à sua direita e à sua esquerda. Você não pode desaparecer por causa do grupo e, ao mesmo tempo, tem que estar com o grupo. Antagonismo”, explicou Maguy, de 65 anos.

O antagonismo está no significado e também na forma de BiT. Maguy Marin coloca os seis bailarinos – três mulheres e três homens –em formações que remetem à farândola, dança medieval de origem francesa em que os participantes se movimentam com as mãos dadas. Mas a música não é folclórica, como os passos sugerem. É eletrônica, composta por Charlie Aubry. É então que o bit (unidade básica de informação digital, cujo valor é binário: 0 ou 1) se mistura aos beats (batidas, o ritmo) em uma dança intensa que evoca o ancestral e o novo, os instintos e as obsessões da vida contemporânea.

'Arte é como uma arma não violenta', diz artista

A Compagnie Maguy Marin estreia a programação do France Danse em São Paulo, iniciativa criada em 2007 pelo Institut Français que fomenta a dança contemporânea francesa e que já passou pela Europa, Ásia, Oceania e pelos Estados Unidos. No Brasil, 15 cidades recebem o projeto. Somente em São Paulo, serão 19 espetáculos de 11 companhias até novembro.

Missão. Maguy Marin nasceu em Toulouse, onde estudou balé clássico. Dançou no Balé de Estrasburgo e frequentou a Escola Mudra, que Maurice Béjart construiu na Bélgica. Foi ainda solista no Ballet do Século XX, de Béjart. Em 2016, sua primeira obra completa quatro décadas. Resume o que a faz persistir há 40 anos: “É a única coisa que gosto de fazer”.

A coreógrafa construiu uma carreira prolífica preocupada com o que poderia oferecer à sociedade dentro e fora do palco. Para Maguy, filha de refugiados espanhóis, que escaparam da ditadura de Franco, a arte é como uma arma não violenta. “Quando leio poesia ou vejo o trabalho de outros artistas, é muito importante para mim que eu pegue disso coragem, energia e confiança para mudar o mundo ou mudar minha vida, antes do mundo. Espero que, enquanto companhia, forneçamos coragem e prazer ao público, e que, além de um bom momento, o trabalho mude o modo de as pessoas pensarem e agirem. Alguma coisa tem de mudar lá no fundo”, acrescenta.

BiT

Sesc Pinheiros. Teatro Paulo Autran. Rua Paes Leme, 195, tel. 3095-9400. 6ª e sáb., às 21h. Ingressos: R$ 15/ R$ 50.

Programação segue até novembro em unidades do Sesc

As apresentações do FranceDanse Brasil ocorrem até 12 de novembro em unidades do Sesc e em teatros da capital. Além de Maguy Marin, outros destaques da dança francesa exibem trabalhos em SP. Thomas Lebrun traz seu Lied Ballet ao Teatro Bradesco na terça (11), às 21h. Em três atos, a obra combina a seu modo a arte (música e balé) e temas do Romantismo para questionar a criação contemporânea.

Outra grande figura é Jérôme Bel, que apresenta Gala nos dias 29 (21h) e 30 (18h) no Sesc Bom Retiro. Ao colocar profissionais e amadores em cena, o coreógrafo brinca com os limites entre perfeição e falha, subvertendo julgamentos e o significado de qualidade. Bel compartilha a produção da arte com ‘não artistas’ para revelar a singularidade e a dança que existe em todos os corpos.

Em novembro, São Paulo receberá ainda nomes como Christian Rizzo e a Compagnie Käfig, de Mourad Merzouki. Programação completa do FranceDanse em www.ambafrance-br.org.

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