Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Cinco intérpretes de 'Les Misérables' foram eleitos para a versão mexicana

Espetáculo estreia no dia 22 de março

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

28 Novembro 2017 | 06h03

O inglês Cameron Mackintosh tem o toque de Midas entre os musicais - condecorado como Sir, pela rainha Elizabeth, ele já foi elogiado pelo New York Times como “o mais bem-sucedido, influente e poderoso produtor teatral do planeta”, graças a espetáculos como Fantasma da Ópera, Cats e Les Misérables, que termina sua temporada paulistana no dia 10 de dezembro. Mas, quando a cortina se fechar na noite deste dia, para cinco integrantes do elenco não será uma despedida, mas apenas um “até logo”. Isso porque esse quinteto foi escolhido pelo próprio Mackintosh para integrar a temporada de Le Mis no México, que estreia dia 22 de março.

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Os eleitos são a dupla de protagonistas, o espanhol Daniel Diges, que interpreta Jean Valjean e Nando Pradho (Javert), além de Clara Verdier (Cosette), Laís Lenci (ensamble e cover de Cosette) e Leo Wagner (ensamble masculino e cover de Valjean e Javert). Todos começarão a ensaiar no dia 22 de janeiro, na Cidade do México. “É uma rara oportunidade figurar na companhia de Mackintosh”, comenta Renata Alvim, gerente-geral da divisão de teatro da T4F, a empresa que montou Les Mis em São Paulo. “Além da experiência pessoal, há ainda a grande vantagem de se crescer profissionalmente."

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Segundo Renata, já era esperado que ao menos um intérprete do elenco brasileiro fosse escolhido, pois Mackintosh cobriu de elogios os profissionais brasileiros, quando veio acompanhar a estreia do espetáculo, em março. “Cameron é muito exigente - já chegou a adiar uma estreia de Mary Poppins por não gostar da produção.”

A excitação, portanto, já marca a rotina dos cinco, todos se preparando para a grande experiência. Do grupo, apenas Diges já passou por algo semelhante. E foi sofrido - em onze meses no Brasil, o espanhol lutou bravamente para cantar em português as harmoniosas letras do musical. “Em minha língua, as canções soam mais líricas, pois as vogais são mais abertas, ao contrário daqui”, disse ele que, tomado pela emoção, ainda canta alguns versos em castelhano, o que nada atrapalha sua soberba interpretação. “Em português, determinados trechos exigem 13 fonemas quando, em espanhol, bastam cinco.”

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Ele conta que, ao chegar no Brasil, sentiu-se na obrigação de surpreender em cena. “Aqui, as produções não contam ainda com estrangeiros, assim, minha responsabilidade era tremenda - eu não podia errar, precisava dar o máximo de energia para obrigar o resto do elenco a fazer o mesmo.” A medida surtiu efeito, como notou Clara Verdier que, detalhista, já versou todas suas falas para o espanhol. O cuidado, porém, quase provocou um efeito cômico: “Certo dia, em uma apresentação, quando eu ia começar a cantar, me veio o verso em espanhol. Por um segundo, quase cantei errado”, diverte-se.

Por conta disso que Nando Pradho, que impressiona como Javert, nem começou sua preparação. “Só vou começar a pensar em espanhol no dia 11 de dezembro, com nossa temporada encerrada. Tenho muito receio de confundir os idiomas na cabeça”, conta ele, também preocupado com a adaptação no México. “Como fazemos muitas apresentações - até duas em um só dia -, a disciplina tem de prevalecer, principalmente no cuidado com a alimentação”, comenta Pradho, temendo a famosa pimenta da culinária mexicana.

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Diges sente-se mais confortável por se tratar de sua língua, mas, como todos, sabe que o trabalho se reinicia do zero. “Teremos outro diretor, que deverá apresentar novas intenções para cada personagem”, comenta Laís Lenci. “Pode acontecer de a interpretação mudar completamente.”

Muito atento a esse detalhe está Leo Wagner, que tanto pode substituir Diges como Nando Pradho. “Conheço bem a forma como cada um atua, o que é importante pois aquele que estiver em cena vai esperar que eu me aproxime do estilo de quem estou substituindo”, observa ele, eufórico com sua primeira viagem internacional - o passaporte foi recém tirado. “Tudo será novidade.”

Outros talentos já integram montagens no exterior

Não é a primeira vez que o Brasil “exporta” talentos do musical - o veterano Saulo Vasconcelos atuou no México antes de estrelar O Fantasma da Ópera em São Paulo, em 2005. E Alirio Netto foi Jesus, também no México, antes de impressionar como Judas, na versão paulistana de Jesus Cristo Superstar, em 2013.

Atualmente, um dos destaques é Tiago Barbosa, que repete na Espanha o sucesso como Simba, de O Rei Leão. Como todos, ele descobriu o espetáculo sob nova perspectiva. “Ao chegar na Espanha, tive alguns desafios a serem superados: ver o musical sob outra perspectiva”, conta ele, que chegou na Europa com a missão de ser o substituto - mas logo assumiu o papel principal.

“Antes, eu ficava na maquiagem e entrava no final do primeiro ato, com Hakuna Matata; agora, participo ativamente dentro do elefante, vejo cada pessoa emocionada ao som de Nats’ ngonyama.”

O esforço frutificou - depois de sete meses no espetáculo, Barbosa foi convidado para cantar na embaixada dos EUA, diante da nobreza da Espanha. “Ri sozinho quando recebi o convite.”

LES MISÉRABLES

Teatro Renault. Av. Brig. Luis Antonio, 411. Tel. 4003-5588. 5ª e 6ª, 21h. Sáb., 16h e 21h. Dom., 15h e 20h. R$ 50/R$ 200. Até 10/12

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