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Chega a SP ‘We Will Rock You’, musical inspirado nas canções já clássicas do Queen

- Atualizado: 20 Março 2016 | 06h 01

Montagem exige elenco preparado para narrar história e participar de um show; estreia ocorre na quinta-feira, dia 24

Aos amantes de musicais, aqueles acostumados a uma quantidade mediana de decibéis e a uma habilidosa coreografia, o espetáculo impressiona – aqui, o tradicional tema de abertura vem mais pesado que o esperado, invade os ouvidos e domina todos os sentidos. Poderosos fachos de luz iluminam a plateia, corando as faces. A banda surge ao fundo, em um andar superior, com músicos de braços levantados. O clima é de sublevação. Até que um telão finalmente se acende e orienta como uma bússola: “Estamos em um futuro distante”.

Até aqui, foram poucos minutos, mas o suficiente para preparar o espectador para a experiência que será We Will Rock You, musical criado com as canções da banda Queen e que estreia na quinta-feira, dia 24, inaugurando o Teatro Santander. “É uma verdadeira viagem por todos os nossos sentidos”, confia o alemão Uwe Petersen, que dirige as diversas montagens de WWRY (como é conhecido o espetáculo) pelo mundo. “Trata-se da combinação perfeita entre um musical e um show de rock.” 

Galileo. Ele é o messias, que vai trazer a música ao vivo de volta
Galileo. Ele é o messias, que vai trazer a música ao vivo de volta
O coração que faz a peça palpitar é a música do Queen, que eletrizava os adolescentes, aterrorizava os pais e tinha uma batida que cruzou continentes, culturas e classes. “Foi esse grupo que me convenceu a ser músico”, confessa o ator e cantor Alírio Netto, que interpreta o personagem principal, o revolucionário Galileo.

Criado pelos dois músicos remanescentes da banda, Brian May e Roger Taylor, o musical não carrega a pretensão de ser uma biografia de Freddie Mercury (morto aos 45 anos, vítima da aids, em novembro de 1991) e seu grupo. Com roteiro do comediante Ben Elton, o musical fala dos perigos da globalização.

A história começa no futuro, 300 anos à frente do tempo atual. A Terra agora é controlada por uma companhia chamada Global Soft. A globalização instalou-se completamente, tornando a individualidade um mal a ser evitado. Assim, todos assistem aos mesmos filmes, usam o mesmo vestuários. A música é fornecida por computadores, que determinam o hit do momento. A esperança está em um pequeno grupo, os Boêmios, que esperam pelo herói que vai fazer renascer o rock: Galileo. 

“We Will Rock You é sobre lendas”, anuncia Elton, autor do musical que estreou em 2002 em Londres e, desde então, já foi visto por mais de 15 milhões de pessoas em 17 países. “Partimos da lenda que é o Queen e criamos nossa própria história fantástica de jovens lutando contra as grandes corporações, moças e rapazes que querem eliminar sua individualidade e o amor pela música. Eles precisam de um herói e nós oferecemos dois: o sonhador Galileo e a audaciosa Scaramouche.”

É na relação entre duas personalidades tão díspares, mas complementares em que se equilibra WWRY. “Scaramouche é muito sarcástica e usa essa ironia contra aqueles que a desagradam”, observa Livia Dabarian, que vive o papel com firmeza, oscilando entre a delicadeza e o vigor. “Sua vida é totalmente modificada pelo rock. Acredito que ela tem o mesmo perfil do Brian May, ex-integrante do Queen – Scaramouche é uma homenagem a ele.”

E onde estaria Freddie Mercury? “Ele era grande demais como artista para ser representado apenas por um ator”, acredita Andrezza Massei, intérprete de Killer Queen. “Cada personagem traz um pouco do Freddie.” Andrezza faz a grande vilã do musical, a comandante da Global Soft, corporação responsável pela proibição de se ouvir música ao vivo e pela apropriação da mente dos jovens.

Sua marcante presença em cena tem origem nas diversas apresentações que fez em shows noturnos. “Eu cantava rock na noite e, desde essa época, percebia como as canções do Queen encantavam todo mundo, pois suas letras driblam qualquer crença.”

De fato, obsessiva, irônica, carente: a voz de Freddie Mercury é aquela que permanece dentro da cabeça de cada um. E, ao promover a alquimia entre o musical tradicional e o show de rock, WWRY oferece um vasto cardápio de desafios ao seu elenco. “Assisti a vários clipes do Freddie para ter referência corporal”, conta Thais Piza, dona de uma belíssima voz e que vive Oz, rebelde boêmia que luta ao lado do companheiro Brit (Nicholas Maia) para trazer o rock de volta. “Esse musical exige uma variedade de técnicas, pois não tem, por exemplo, o vibrato, que é comum no musical tradicional.”

Cena do musical 'We Will Rock You'
Cena do musical 'We Will Rock You'
A transição tornou-se mais fácil para Alírio Netto, intérprete do protagonista Galileo, jovem que sonha com músicas e vozes estranhas – seu nome também é uma referência a uma das mais famosas músicas do Queen, Bohemian Rhapsody. Dono de um dos agudos mais possantes do musical brasileiro, Alírio tem experiência de palco por ter sido vocalista da banda Khallice. “Na verdade, virei cantor por causa da admiração que tenho por Freddie Mercury”, admite o ator, que terá como alternante outro grande ator de musical, Beto Sargentelli.

Alírio tornou-se conhecido por ter vivido Judas em Jesus Cristo Superstar, belíssima montagem de Jorge Takla. Curiosamente, ele também participou da versão mexicana, na qual interpretou Jesus. “É um prazer agora fazer WWRY porque é um musical com uma história mais leve”, observa ele, que decidiu atrasar o lançamento de seu novo disco para se dedicar apenas ao espetáculo.

Fato raro nos espetáculos estrangeiros que são montados no Brasil, We Will Rock You não terá canções traduzidas para o português – antes, apenas Priscilla, Rainha do Deserto tomou a mesma decisão em relação às músicas originais. “É uma decisão importante”, acredita o diretor alemão Uwe Petersen, que coordena a montagem brasileira desde as audições. “As canções do Queen são poderosas demais para resistir em outro idioma.”

Em São Paulo desde novembro, ao lado do coreógrafo Philip Comley e do supervisor musical Stuart Moley, Uwe trabalhou com a produtora brasileira Almali Zraik e se revelou um encenador meticuloso, mas essencialmente carinhoso. “Ele orientou de forma cuidadosa cada ator, permitindo que todos conhecessem seus personagens”, comenta Felipe de Carolis, que vive Toca, um antigo bibliotecário cuja preciosa memória não foi completamente apagada – ele é quem direciona Galileo e Scaramouche aos instrumentos musicais perdidos.

“O ator brasileiro é diferente do europeu – e do alemão, em particular”, observa Uwe. “Se lá a maior dificuldade está em fazer com que aflore a emoção, aqui ela vem em abundância, o que me obrigou a trabalhar com cada um até encontrar a dose certa”, conta o encenador.

Ciente de que as apresentações do Queen, tanto no palco como nos clipes, eram essencialmente teatrais, Uwe soube tirar proveito, especialmente na coreografia. “Não se pode apenas imitar, é claro, mas existem determinados passos que são característicos do Queen e que vão satisfazer também os fãs do grupo”, acredita Comley. 

WE WILL ROCK YOU

Teatro Santander. Av. Pres. Juscelino Kubitschek, 2.041. 4003-1022. 5ª e 6ª, 21h; sáb., 17h e 21h; dom., 16h e 20h. R$ 80/R$ 300. 

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9 histórias por trás de 'Bohemian Rhapsody', do Queen, que completa 40 anos
Reprodução
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A canção ganhou um vídeo, gravado em novembro de 1975. Apesar da estética bastante inovadora, a equipe de produção usou simples truques de filmagem. A icônica pose do quarteto já tinha sido utilizada no ano anterior, na capa do disco 'Queen II'.

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