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Cultura

Bette Midler volta à Broadway com espetáculo ‘Hello, Dolly!’

A célebre atriz, que terá 71 anos quando o musical estrear, em 2017, diz que está pronta para o papel

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Michael Paulson THE NEW YORK TIMES,
O Estado de S.Paulo

25 Janeiro 2016 | 03h00

Bette Midler nunca viu Hello, Dolly! no palco. Com certeza, ela viu o filme e tinha certa familiaridade com a história, mas, quando o produtor Scott Rudin começou a ligar para ela meses atrás, pedindo que ela estudasse a possibilidade de estrelar uma nova produção do musical na Broadway, ela percebeu que precisava fazer a lição de casa.

Ela foi até a Biblioteca Pública de Artes Performáticas de Nova York para ver imagens de Carol Channing na produção de 1995 e assistiu, no YouTube, a representação de Pearl Bailey em 1975. Ela assistiu A Mercadora da Felicidade (The Matchmaker), filme de 1958 estrelado por Shirley Booth, que foi inspirado na mesma peça de Thornton Wilder que deu origem ao musical.

E não foi tudo. Ela leu notas de produção feitas por Gower Champion, que dirigiu a produção original de 1964, além de ouvir registros de áudio do elenco. Finalmente, leu o roteiro, o que a convenceu de que a personagem título, uma viúva da virada do século chamada Dolly Gallagher Levi, tinha mais necessidades e desespero do que ela havia se dado conta.

E disse sim. “O papel tem um peso enorme e a música é irresistível”, disse Midler em entrevista por telefone, horas depois do anúncio de que ela havia aceitado estrelar uma nova produção de Hello, Dolly!.” É um espetáculo muito americano, com uma qualidade de alegria, um tipo de qualidade de entusiasmo e uma incrível doçura. Nesses tempos sombrios, quando todo o mundo parede estar em chamas, parece algo que as pessoas gostariam de ver.”

A Dolly de Midler chegará à Broadway no verão de 2017, 50 anos depois de a atriz ter atuado como Tzeitel na produção original de Um Violinista no Telhado, também na Broadway. Nesse meio tempo, Midler tornou-se uma artista muito popular, muito conhecida por seus personagens em filmes e performances em concertos. Nos anos 1970, ela participou de uma série de concertos na Broadway e voltou em 2013 para um monólogo, chamada I’ll Eat You Last: A Chat With Sue Mengers.

Durante esse mesmo período, Dolly tornou-se um dos musicais norte-americanos mais conhecidos, montados, imitados e transformados em fetiche (dentre os mais charmosos entusiastas do espetáculo, está o pequeno robô do filme da Pixar de 2008, Wall-E). Embora o papel seja mais associado a Channing (que estrelou o original e outras duas produções da Broadway) e a Barbra Streisand (protagonista do filme), a personagem também foi interpretada por uma série de atrizes poderosas como Phyllis Diller, Betty Grable, Mary Martin, Ethel Merman e Ginger Rogers.

A nova produção também trará o compositor do musical de volta à Broadway pela vigésima vez. “Quer eu goste ou não, na minha lápide vai estar ‘ele escreveu a música e as letras de Hello, Dolly!’”, disse Jerry Herman, que também escreveu a música e as letras para Mame e A Gaiola das Loucas.

“Na manhã seguinte à publicação das críticas em 1964, recebi um telefonema de David Merrick. Ele disse ‘o que quer que você esteja fazendo, coloque suas calças e venha para St. James, porque você só vai ver isso uma ou duas vezes em sua vida’”, lembrou Herman. “Fiz o que ele falou e vi um fila que dava a volta na Oitava Avenida e Merrick servia café às pessoas que esperavam para comprar ingressos. Foi uma visão que valeu a pena eu me vestir para presenciar.”

Herman, que tem 84 anos, disse que esperava havia anos para ver uma nova produção do musical, mas estava esperando pela atriz certa.

“Havia muitas sugestões de mulheres talentosas, mas nenhuma chamou a atenção a ponto de dizer ‘uau!’. Mas então eu vi Bette na TV, fazendo seu espetáculo em Las Vegas, e aconteceu”, disse ele. “Falei, ‘esta mulher pode fazer isso’. Chegou a hora.”

Herman almoçou com Midler, que estava encantada, mas não conseguia colocar o espetáculo em sua agenda de compromissos; em seguida, veio Rudin, um veterano produtor de Hollywood e também da Broadway, que fechou o acordo.

A nova montagem será dirigida por Jerry Zaks (que já ganhou quatro Tony), com coreografia de Warren Carlyle (que conquistou um Tony). A produção ainda não anunciou o teatro ou os outros integrantes do elenco e os ingressos só começarão a ser vendidos no outono (no hemisfério norte).

Midler, que terá 71 anos quando o show estrear, disse que o papel é “um grande desafio”, lembrando que faz anos desde que ela apareceu com um elenco de outros atores num espetáculo.

“É muita coisa, não sou jovem, mas sou curiosa e adoro todas as coisas que essa personagem é obrigada a fazer”, acrescentou. “Ela me mantém magra, o que eu gosto, e me mantém ocupada.”

Ela declarou que sua idade faz com que a preparação para o papel seja mais difícil. “Tudo o que você faz na vida fica mais difícil”, mas também lembrou que esteve em excursão no ano passado e sentiu-se bem. “Foi incrível”, afirmou ela. “Não foi fácil, mas não foi tão difícil quanto eu pensei que seria.”

Herman disse que a idade de Midler poderia ser um problema para atrizes diferentes, mas que “ela tem a juventude em si mesma e eu acho que será muito fácil para ela”. Midler é mais jovem do que Channing era na última produção que participou (ela tinha 74 naquele tempo, fazendo um papel que havia começado a interpretar aos 43).

“Bette é original e Dolly precisa de algo original”, disse Herman. No que diz respeito à produção, ele afirmou que “vai ser lindo, emocionando, colorido e gracioso. Tudo o que essa velha garota merece.” / TRADUÇÃO DE PRISCILA ARONE

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