LEO AVERSA/DIVULGAÇÃO
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A volta de ‘Todos os Musicais de Chico Buarque em 90 Minutos’ reforça a boa aceitação de trabalhos do gênero

Musical está em cartaz em SP até o dia 31 de maio

Ubiratan Brasil, O Estado de S. Paulo

11 Abril 2015 | 03h00

Charles Möeller e Claudio Botelho colecionam sucessos entre os musicais que dirigiram e produziram. Mas poucos se tornaram tão valiosos como Todos os Musicais de Chico Buarque em 90 Minutos, que voltou ao cartaz no Teatro Cetip, no Instituto Tomie Ohtake. “É um espetáculo de pequenas dimensões, mas de enorme sucesso”, comenta Botelho, que também está no elenco. “Isso comprova que musicais de pequena produção também são muito atraentes. Basta ver outro trabalho de tamanho semelhante, Beatles num Céu de Diamantes, que era para ficar 15 dias em cartaz e acabou se estendendo por 7 anos. Também Milton Nascimento – Nada Será Como Antes, que já iniciou sua terceira turnê.”

Möeller e Botelho têm especial carinho pela obra de Chico Buarque – no passado, já montaram Ópera do Malandro, Suburbano Coração e Na Bagunça do Teu Coração, que é uma revista com composições do autor de Calabar. Mas, dessa vez, a dupla apostou em algo mais focado nas canções. 

Não se trata de um recital tampouco de uma apresentação cronológica – Möeller e Botelho decidiram criar uma peça inédita em que os textos são as canções. Uma trupe teatral, vivida pelo próprio Botelho, além de Marya Bravo, Gabi Porto, Rodrigo Cirne, Estrela Blanco, Felipe Tavolaro, Carol Bezerra e Thuany Parente, viaja por diversas cidades, apresentando suas peças. 

O chefe do grupo (interpretado por Botelho), já idoso e com a memória comprometida, decide registrar no papel as lembranças que ainda guarda, anotando momentos de sucesso, encontros e desencontros amorosos, cuja harmonia é desestabilizada pela chegada de uma nova integrante (vivida por Gabi Porto).

A intenção dos diretores/criadores foi homenagear antigas companhias de teatro, como de Dulcina de Moraes, Eva Todor, nos casais Cacilda Becker e Walmor Chagas, Maria Della Costa e Sandro Polônio, entre outros “mambembeiros”. E, durante os encontros e desencontros amorosos vividos dentro da trupe, canções já clássicas são apresentadas, como Tatuagem (de Calabar), Sem Fantasia (Roda Viva) e Pedaço de Mim (Ópera do Malandro).

“Unimos músicas de espetáculos totalmente não comunicantes, como Roda Viva e Calabar, O Corsário do Rei e O Grande Circo Místico, República dos Assassinos e Para Viver Um Grande Amor”, conta Botelho. “O objetivo é mostrar a magnitude dessa obra como exemplo de arte, que resiste mesmo fora do contexto original. Tudo é encenado, somos todos personagens dessa trupe inventada.”

A familiaridade com a obra de Chico permitiu que o espetáculo fosse levantado em 25 dias. O ponto de partida foi uma montagem inglesa, Todas as Peças de Shakespeare em 97 Minutos, criada pelo grupo The Shakespeare Reduced Company. Ali, acontecem encontros improváveis como Hamlet e Lear, Othello e Falstaff, criando uma nova e irreverente peça (o New York Times classificou-a como mais “impiedosa que as sátiras do Monty Python”), sem deixar de reverenciar o bardo. 

Möeller e Botelho preparam outro musical, Nine, que estreia no Teatro Porto Seguro, no dia 23 de maio, e a filmagem de Saltimbancos Trapalhões 2, com Renato Aragão. 

TODOS OS MUSICAIS DE CHICO BUARQUE EM 90 MINUTOS

Teatro Cetip. R. dos Coropés, 88, 4003-5588. 6ª e sáb., 21 h; dom., 18 h. R$ 100/R$ 150. Até 31/5.

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