JF Diorio/Estadão
JF Diorio/Estadão

'A Pequena Sereia' terá toques brasileiros em canções e sotaques

Musical com Tiago Abravanel e Fabi Bang estreia no final de março

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

04 Fevereiro 2018 | 06h00

Há dois meses em São Paulo, a diretora e coreógrafa americana Lynne Kurziel-Formato já coleciona mais certezas que dúvidas – com a experiência de quem já esteve à frente de diversos musicais no mundo, Lynne comanda a versão brasileira de A Pequena Sereia, um dos mais admirados espetáculos da Broadway, cuja estreia acontece dia 30 de março, no Teatro Santander. “Já percebi que temos um elenco forte, comprometido, que vem trabalhando com a paixão esperada”, disse ela ao Estado, no intervalo do primeiro ensaio com o elenco de 33 atores, na tarde de quarta-feira, 31, em São Paulo.

Não se trata, de fato, de um espetáculo qualquer – afinal, é a primeira vez que a Disney autoriza uma montagem no País, sem obrigação de ser uma réplica da americana. Isso significa que, além de uma percussão mais forte, a melodia trará vestígios de samba e música baiana, especialmente o som do berimbau. “A partitura original, de Alan Menken, tem tessituras complexas e faz com que os atores busquem regiões na voz nem sempre confortáveis”, observa a diretora musical Vânia Pajares. “Além disso, a coreografia é detalhada, complexa, o que exige do elenco aquela naturalidade para cantar, dançar e ainda dizer suas falas.”

“Nosso maior desafio foi criar versões totalmente novas de canções conhecidas do desenho”, comenta Victor Mühlethaler, que assina a versão brasileira com Mariana Elisabetsky.

É nesse ponto que a diretora Lynne já acumula mais certezas – designada pela Disney para acompanhar desde o processo de seleção (que contou com mais de 2 mil inscritos), ela já enumera ganhos sucessivos. “Tiago e Fabi parecem ter nascido para viver esses papéis”, comenta a americana, referindo-se a Tiago Abravanel e Fabi Bang, que vivem dois dos protagonistas, o caranguejo Sebastião e a sereia Ariel. “Ambos já dominam o sentimento de seus personagens.”

Baseado no desenho que a própria Disney lançou em 1989 (e que reergueu o departamento de animação do estúdio), A Pequena Sereia acompanha a história de Ariel que, apesar de viver no fundo do mar, quer pertencer ao mundo dos homens depois de ter conhecido o príncipe Eric (Rodrigo Negrini), graças à ajuda de seu melhor amigo, Linguado (Lucas Cândido). “Ariel não está satisfeita com sua vida e quer mudar. Ela simboliza as pessoas que buscam sempre evoluir”, conta Fabi, empolgada com o papel, símbolo de sua carreira em ascensão. “Ariel é o fruto que colhi dos trabalhos anteriores, em Wicked e Kiss Me, Kate.”

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É sua interação com Tiago Abravanel que empolga a diretora Lynne. “Estudei muito o universo marítimo, especialmente a forma como os caranguejos se movimentam dentro e fora d’água”, conta o ator, que adota um sotaque baiano para o personagem. “O original é jamaicano e, como teremos toques de brasilidade na versão, decidimos por algo nordestino.”

Sua atuação no ensaio promete um grande sucesso, graças ao pleno domínio do humor. Algo que deverá ecoar com a atuação de Andrezza Massei, que viverá a bruxa do mar Úrsula. “É minha vilã favorita”, festeja ela, ganhadora de todos os prêmios por sua impecável atuação em Les Misérables, no ano passado. Andrezza terá um desafio no canto, ao ter de adequar sua voz a um tom mais grave. 

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“Na verdade, são muitas as canções que puxam as notas”, completa Rodrigo Negrini, feliz com seu primeiro papel protagonista. “Tenho dois solos”, conta, orgulhoso, depois de revelar seu talento no ensaio acompanhado pelo Estado.

A montagem brasileira vai surpreender ainda com diversos voos dos atores, simulando passeios no fundo do mar. “Será uma produção para toda a família”, confia Stephanie Mayorkis, coprodutora do espetáculo e diretora da IMM.

Animação. A Pequena Sereia era a 28ª animação dos prestigiosos estúdios Disney, mas, ao estrear em novembro de 1989, A Pequena Sereia transformou-se em um marco – depois de uma série de fracassos comerciais e de críticas nas décadas de 1970 e 1980, o que levantou a suspeita de que a assinatura Disney já não era mais tão mágica, a empresa iniciou uma era que passou a ser conhecida como o Renascimento da Disney. Afinal, logo vieram outros sucessos como A Bela e a Fera e O Rei Leão

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A Pequena Sereia tornou-se um marco do cinema. Afinal, foi o primeiro longa de animação a ser indicado para um Oscar de melhor filme (faturou as estatuetas de trilha sonora e de canção, a graciosa Under the Sea). Foi também a primeira adaptação de um clássico conto de fadas feita pela equipe da Disney desde A Bela Adormecida, de 1959.

Finalmente, foi ainda a última grande animação da Disney feita sem computador, exigindo mais de um milhão de desenhos feitos à mão. Também foram recrutados profissionais dos grandes musicais da Broadway para criar canções originais, como Alan Menken, hoje um premiado autor de trilhas de cinema. 

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