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ALEX SILVA|ESTADÃO

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3ª Mostra Internacional de Teatro traz programação com 10 espetáculos

Evento será realizado entre dias 4 e 13 de março em São Paulo

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Leandro Nunes,
O Estado de S.Paulo

02 Fevereiro 2016 | 03h00

Um espetáculo que convida cidadãos comuns para integrar uma amostra performática de sua cidade. Assim é 100% City, que estreia como 100% São Paulo, ao lado de mais nove montagens – duas a menos que na edição passada – durante a 3.ª MITsp – Mostra Internacional de Teatro de São Paulo, que será realizada entre dias 4 e 13 de março, em vários locais, incluindo quatro unidades do Sesc-SP.

A peça encabeçada pela companhia alemã Rimini Protokoll coloca 100 pessoas no palco e faz uma série de perguntas polêmicas, como pena de morte e casamento de pessoas do mesmo sexo. “É a tentativa de fazer uma radiografia da cidade”, explica o curador artístico Antônio Araújo. “A ideia é trabalhar a partir do conceito de estatísticas, que serve tanto para revelar quanto para esconder coisas.” A presença desse tipo de teatro-documentário é também motivo de entusiasmo por outra razão. Pela primeira vez, o Teatro Municipal integrará a mostra. “Utilizar aquele palco para falar de questões da cidade será muito especial.”

Como nas edições anteriores, a mostra segue trazendo espetáculos que perseguem certo hibridismo ou que tensionam outras artes, como cinema e artes plásticas. Desta vez, a música se encarrega de desafiar as fronteiras no belga An Old Monk e no africano Revolting Music – Inventário das Canções de Protesto que Libertaram a África do Sul. Na primeira, os artistas realizam um concerto sobre a figura do músico de jazz Thelonious Monk (1941-1971). Na segunda, o performer Neo Muyanga retoma as canções de protestos liderados por movimentos estudantis na cidade de Soweto. “São obras que colocam em confronto essas naturezas, além de retomar figuras importantes e momentos históricos.”

Outro eixo que pode servir como pista da curadoria engloba a linguagem narrativa na contemporaneidade. Araújo conta que há um certo equívoco de alocar o teatro narrativo como evento do século passado. “Há a crença de que o teatro pós-dramático rejeita o recurso de contar histórias”, pondera ele. “Não é bem assim.”

Para fundamentar sua opinião, a mostra traz Ça Ira e Cinderela, ambas as montagens do diretor francês Joël Pommerat. “Elas trazem narrativas com texturas estranhas. Em algum momento, parece faltar algo ou haver buracos. A construção parece um quebra-cabeças, mas a história está sendo contada.”

Como de costume, o Brasil está representado e, desta vez, com duas estreias. A Tragédia Latino-Americana, de Felipe Hirsh, parte de fragmentos da literatura latino-americana contemporânea, e Cidade Vodú, do Teatro de Narradores, traz consigo a imigração de haitianos na cidade. “Eles acabam por sofrer dois tipos de preconceito por serem imigrantes e negros”, diz.

Outra novidade será a realização de abertura de processos dos espetáculos Na Selva das Cidades, Brasil-Polônia Encontros e Laboratório Ó. “O público poderá acompanhar os ensaios de peças que estão prestes a estrear.”

A programação também se reveste de ações como mesas de debate, workshops, residências artísticas e lançamento de livros. O valor dos ingressos, de R$ 10 a R$ 20, acompanha o modelo da edição anterior. Começam a ser vendidos online no próximo dia 18 e, dia 19, nas unidades do Sesc.

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