Luis Garay entra em cena em 'Ciência e Fricção'

Coreógrafo colombiano apresenta seu trabalho mais recente em São Paulo, no Sesc Belenzinho, neste domingo e na segunda-feira

Helena Katz, Especial para O Estado de S. Paulo

07 Junho 2014 | 16h00

Luis Garay traz a São Paulo Ciência e Fricção, seu trabalho mais recente, que apresenta no Sesc Belenzinho apenas duas vezes: neste domingo, 8, às 20 h, e segunda-feira, 9, às 17 h. Colombiano de Bogotá, radicado em Buenos Aires desde 1999, Garay é hoje um dos coreógrafos de maior projeção nos circuitos internacionais, sendo reconhecido pela combinação sempre refinada entre rigor na concepção e excelência na realização do que põe em cena.

Formou-se na cidade onde nasceu (Fundación Ballet Priscila Welton e Teatro Libre), fez diversos cursos com profissionais como Wim Vandekeybus, Emio Greco, Felix Ruckert, e com companhias como a Cat People Company e a Kellari Contemporary. Estudou também na Finlândia (Lyseon Lukio) e na França (Centre National de la Danse, Opéra du Rhin, Mulhouse). 

No seu percurso, Maneries (2009) transformou-se em um marco divisor, pois foi o espetáculo que consolidou a sua projeção internacional. De lá para cá, construiu outros quatro (Ouroboro, Atividade Mental, Fisicologia e Under de Si). Em todos eles, estudou as atividades biológicas mais básicas do corpo e a relação entre mobilidade e imobilidade. Agora, sua atenção está mais no movimento mesmo, e sua perspectiva é a de investigar aquilo que nele pode ser mostrado e o que pode ser ocultado.

“Pesquiso o corpo como material linguístico, daí meu interesse pelo gesto, pela possibilidade de ele ser ausente ou potência de presença”, declara Garay, no texto que apresenta Ciência e Fricção, no qual também diz: “Centenas de frases de canções pop falam sobre o corpo e suas possibilidades, desde Lady Gaga até Daft Punk. Quais são esses tipos de corpos que almejamos através da cultura pop? Posso transformar isso em poesia? Não acredito que esses corpos sejam 100% fantasia, mas, sim, que representem um tipo de ficção, um tipo de imaginário que tenho interesse em abordar, para além de toda moral”.

Desta vez, a grande novidade é que ele está em cena, ao lado de Ivan Haldar e Florência Vecino - uma oportunidade de não se perder, uma vez que a qualidade da sua movimentação nunca deixou de ser celebrada pelos que a conhecem. Além de dividir a direção artística com os dois bailarinos com quem compartilha o palco, convidou duas colaboradoras artísticas (Ana Teixeira e Vanina Scolavino) e um colaborador para a dramaturgia (Ariel Farace). Eduardo Maggiolo assina a iluminação e Vanina Scolavino, o desenho de imagem.

São Paulo conheceu Maneries e Ouroboro em 2011, quando Garay apresentou ambos também no Sesc Belenzinho. Mas suas ligações com o Brasil não param por aí. Já trabalhou com Alejandro Ahmed (diretor e coreógrafo do grupo Cena 11, de Florianópolis), participou do projeto Lote, coordenado por Cristian Duarte, em São Paulo, e do projeto Outras Danças, Residências para Artistas, na Funarte SP.

Sua agenda internacional está lotada, com apresentações no Centro Pompidou e Théâtre International de la Cité, em Paris, no Malta Festival, na Polônia, no KunstenFestival, em Bruxelas, e em cidades como Montpellier, Lille, Nantes e Kyoto, dentre outras.

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