Companhia Deborah Colker estreia a sensualidade de ‘Belle’

Novo espetáculo da coreógrafa chega nesta sexta-feira ao Rio, levando a história de ‘A Bela da Tarde’ para os palcos

Guilherme Sobota, O Estado de S. Paulo

13 Junho 2014 | 02h00

Estreia nesta sexta-feira, no Rio, o novo espetáculo da Companhia de Dança Deborah Colker, Belle: com sessões extras agendadas para a capital fluminense até segunda-feira, o sucesso de público já é bem previsível. As apresentações ocorrem no Theatro Municipal, e a estreia já está com os ingressos esgotados.

Belle é uma adaptação de um romance francês escrito por Joseph Kessel e que também inspirou Luis Buñuel a filmar A Bela da Tarde, em 1967.

Assim, não é surpresa que a sensualidade e a discussão filosófica da plenitude sejam os pilares da apresentação. Sair impune do espetáculo é tarefa difícil. A reportagem do Estado esteve presente na pré-estreia de Belle em Ribeirão Preto, em maio, e conversou com Deborah Colker ontem, por telefone.

“Foram dois anos e meio, uma série de pré-estreias, mas agora não tem jeito, chegou a hora”, disse, animada. 

A dança é dividida em dois atos – no primeiro, a personagem principal é apresentada, ao lado do marido médico, e aparentemente os dois mantêm uma relação satisfatória. Ainda no primeiro ato, entra em cena o “duplo” de Séverine, justamente, Belle – que atormenta a personagem e a leva a se liberar sexualmente em um bordel. É a partir daí que o público sabe que está passando por uma experiência artística incrível.

“Belle, esse ‘duplo’ de Séverine, é uma força tão intensa que eu senti a necessidade de trazer outra bailarina para representar o papel”, explica Deborah. “Essa é uma das características centrais do meu espetáculo, porque trouxe uma assinatura pessoal”, diz, explicando que tanto no livro quanto no filme o personagem é sempre representado por uma só pessoa. 

Deborah diz que se inspirou no livro para montar o espetáculo, mas que conheceu a história por meio do filme de Buñuel. “A escolha dele por Catherine Deneuve foi perfeita e foi justamente esse personagem que me atraiu tanto.” O seu caráter “contido, sistemático, elegante, sofisticado e silencioso, em tensão com o lado sexy, corajoso e enigmático”, permeia todo o espetáculo, que tem direção executiva de João Elias.

Belle conta, por meio da dança característica da Companhia, a história de Séverine e de suas inquietações íntimas sobre o sexo e sobre a própria plenitude, e faz o uso peculiar e tradicional do palco e da cenografia dos seus espetáculos. Pela primeira vez, a máscara – elemento tão teatral – aparece em um dançarino. 

Ainda em Ribeirão Preto, na metade de maio, quando o espetáculo foi apresentado no Theatro Pedro II, Deborah disse não tentar, mais, estabelecer fronteiras entre dança, teatro, circo. 

“Acredito que a dança, o movimento no palco, tenha que produzir ideias, sentimentos, pensamentos”, disse. “É como com o livro: transpor uma história das palavras para a dança permite que cada um crie novas interpretações, novos significados.”

Deborah também menciona a busca por equilíbrios: para, por exemplo, a arte erótica (o espetáculo é em boa parte ambientada no bordel, afinal) não cair na vulgaridade. Sobre isso, ela não tem que se preocupar.

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