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Maestro Dobromier Malitchewsky ganha musical

Gabriel Perline - O Estado de S. Paulo

03 Setembro 2014 | 03h 00

Espetáculo 'Let's Duet' estreia no teatro Tucarena

Devastados pela morte do maestro Dobromier Malitchewsky, dois de seus mais dedicados aprendizes decidiram prestar uma homenagem ao músico e manter sua obra viva na memória do público. Este é o ponto de partida para o espetáculo musical Let’s Duet - Homenagem a Malitchewsky, em cartaz no teatro Tucarena a partir de hoje, que, só pela fúnebre apresentação, entenderíamos a obra como um resgate sentimental de sua produção. Mas, na verdade, trata-se de uma comédia.

A começar pelo fato de que Dobromier Malitchewsky nunca existiu. É um personagem fictício, criado pelos humoristas Daniel Tauszig, Leonardo Padovani e Gustavo Miranda Ángel. E o objetivo dessa ‘homenagem’ é um só: arrancar risos da plateia. "Por se tratar de um ser imaginário, isso nos permite brincar de diversas formas, sempre alimentando o mito da existência deste músico", explica Ángel, diretor do espetáculo. "E, mesmo morto, Malitchewsky está sempre no palco, mais precisamente no fundo da cena, dentro de uma urna onde guardamos suas cinzas."

Não se sabe quando e onde Malitchewsky nasceu. Ora apresentado como polonês, ora alemão, e até mesmo russo, 'registros' confusos o fazem estar presente nos anos 15 depois de Cristo e até mesmo em 1614. Por isso, sua obra transita por diversos estilos, desde o clássico erudito ao pop chiclete das FMs. Dentro do universo proposto pelos humoristas, especula-se que até mesmo a funkeira Anitta tenha se inspirado na 'Sinfonia Romântica para Anne Petit', composição dedicada ao grande amor de sua vida, Anne Petit, quando criou Show das Poderosas, música que a revelou às massas. "Como a peça é musicada, tomamos a liberdade de adaptar algumas músicas bem populares, que as pessoas jamais imaginariam ouvir em versões clássicas", explica Daniel.

Divulgação
Memória. Daniel e Leonardo "revisitam" clássicos

Além desta, o funk Eu Só Quero É Ser Feliz também ganha roupagem erudita, além da clássica Chopsticks, de Arthur de Lulli, famosa no Brasil ao ser incorporada como jingle de uma marca de iogurtes, que ficou com sonoridade mais obscura na versão do grupo. "O repertório também conta com composições nossas, feitas exclusivamente para a peça, que retratam as diferentes fases do maestro", diz Daniel.

Let’s Duet é inteiramente musicado. Os dois personagens - ambos sem nome - são interpretados por Daniel e Leonardo, que manipulam diversos instrumentos, como piano, violino, violão, acordeom, keytar e o 'chineling'. "Pedi a um amigo para criar este instrumento. É feito com cordas e precisa ser dedilhado para emitir sons. Usamos para registrar o período em que Malitchewsky morou na China", comenta Daniel.

Como a proposta é contar a história deste fictício maestro e os atores não possuem falas em seus roteiros, a peça é orientada por um narrador, que faz as conexões entre as obras apresentadas em cena, cada qual representando uma fase do músico. "Rejeitado por Anne Petit, Malitchewsky compõe uma música que se transforma em seu passaporte para o estrelato."

"Ele acaba contratado por investidores da Broadway, se muda para Nova York e faz sucesso no cenário pop", explica Gustavo. "Mas o vício em álcool e drogas o faz ficar cego. Então, tem a ideia de ir para a China e muda seu estilo musical, compondo clássicos orientais. E, em todas as suas fases, apresentamos uma música marcante de seu repertório."

Para suprir a falta de texto no roteiro dos personagens, o espetáculo conta com três recursos para garantir o tom cômico: releituras inusitadas de músicas populares, canções inéditas com letras engraçadas e humor físico. "Recorremos à linguagem clown e a fala se torna dispensável na peça. O riso é garantido", afirma Gustavo.

LET’S DUET - HOMENAGEM A MALITCHEWSKY

Teatro Tucarena. R. Monte Alegre, 1.024, Perdizes. 4ª, 21h. R$ 40. Até 26/11