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A São Paulo Cia. de Dança apresenta           'La Sylphide'

Maria Eugênia de Menezes - O Estado de S.Paulo

09 Junho 2014 | 22h 09

Título criado em 1832 marca a primeira aparição de dois elementos que se tornaram símbolos do balé: a sapatilha de ponta e o tutu

Ao encenar Romeu e Julieta, no fim de 2013, a São Paulo Cia. de Dança viu instantaneamente os ingressos para todas as récitas se esgotarem. E foi obrigada a abrir sessões extras para dar conta da demanda. Se a sede do público por clássicos se repetir, esse também deve ser o destino de La Sylphide, obra que o grupo estreia nesta terça-feira, no Teatro Sergio Cardoso.

Primeiro balé romântico da história, o título foi criado em 1832. Com uma história que combina um amor tumultuado com evocações de seres mágicos e dos mistérios da natureza, La Sylphide marca também a primeira aparição de dois elementos que se tornaram símbolos máximos do balé: a sapatilha de ponta e o tutu (a saia de tule que recobre as bailarinas).

Divulgação
No palco. Amor impossível entre o bem e o mal

         

Ao escolher essa criação para compor o repertório, a diretora Inês Bogéa visava a embasar a temática escolhida para este ano: um passeio que vai do passado, ou seja, das raízes do balé clássico, ao contemporâneo. "A intenção é traçar uma espécie de linha do tempo, fazendo saltos que deixem evidentes a variedade e a riqueza da dança. Há momentos que passam pelo uso das pontas no balé clássico até a incorporação de gestos cotidianos, como acontece hoje", considera Inês Bogéa, diretora artística da companhia.

É raro que plateias brasileiras tenham a chance de assistir a essa versão de La Sylphide que a SPCD pretende apresentar. Depois da estreia na Ópera de Paris, em 1832, a obra original se perdeu no tempo e poucos registros existem de sua concepção. No País, tornou-se mais popular a releitura de Pierre Lacotte, de 1971, que tentava recriar, em detalhes, a peça assinada pelo italiano Fillipo Taglioni.

O que vai aos palcos agora é o olhar que Auguste Bournonville lançou em 1836 sobre a criação de Taglioni. Extasiado pelo que viu na capital francesa, o artista queria que Copenhagen, sua cidade natal, também tivesse acesso àquela experiência transformadora. "Sem dispor dos mesmos recursos e da mesma estrutura da Ópera parisiense, sua opção reúne um número menor de bailarinos", comenta Mario Galizzi, coreógrafo argentino responsável pela remontagem de La Sylphide. Outro acréscimo de Bournonville a ser considerado é o de danças tradicionais escocesas.

Com música de Herman Lovenskioold, a obra é um conto de fadas em dois atos que narra o sofrimento de um camponês, às vésperas de seu casamento, ao se descobrir apaixonado por uma sílfide. Por levar adiante seu amor impossível, esse homem acaba enredado nas tramas de uma feiticeira e perde tudo. "Pode até parecer ultrapassado", pondera Galizzi. "Mas aí estão todos os elementos em que ainda acreditamos: a oposição entre o bem e o mal, a busca de uma relação com a natureza, a fé em um amor que nos salve de uma existência cotidiana e banal."

De difícil execução técnica, a coreografia exige dedicação e certa dose de virtuosismo, especialmente do par protagonista. Para o personagem masculino, que foi dançado pelo próprio Bournonville, o coreógrafo concebeu uma detalhada e ágil movimentação dos pés. "Um bordado feito com o corpo", define Galizzi.

SP COMPANHIA DE DANÇA

Teatro Sérgio Cardoso. Rua Rui Barbosa, 153, 3288-0136.

Dias 11 e 14/6, 21 h; dia 13, 21h30; dia 15, 18 h. R$ 25. Até 29/6. 

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