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Cultura

Beth Carvalho

Zélia Duncan e Mariene de Castro fazem show inédito em São Paulo

Cantoras são de alguma forma ligadas pelo samba

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Adriana Del Ré,
O Estado de S.Paulo

30 Janeiro 2016 | 03h00

São duas cantoras ligadas, cada qual à sua maneira, ao samba. De um lado, Mariene de Castro e sua estreita intimidade com o gênero, conquistada ao longo de sua formação como cantora e corroborada por padrinhos como Beth Carvalho. Um talento, não raramente, comparado à força da natureza. “Canto samba, porque vivo a cultura de minhas raízes”, ela declarou certa vez. De outro, Zélia Duncan, que fez uma declaração de amor ao samba com o seu novo disco autoral Antes do Mundo Acabar. “Sempre tive o samba na minha história, uma mãe que ouvia muito samba em casa, me sinto muito à vontade nesse universo”, contou ela, ao Estado, na época do lançamento do álbum, em outubro de 2015. 

Elas agora se encontram no palco do CCBB São Paulo, neste sábado, 30, e domingo, 31, para um espetáculo inédito da turnê do 26.º Prêmio da Música Brasileira. O show já passou pelos CCBBs Brasília, Rio e Belo Horizonte. Ainda dentro da turnê, Zélia participou, no ano passado, de uma série de shows em homenagem a Maria Bethânia. Em 2014, ela foi convidada a roteirizar o Prêmio da Música Brasileira em homenagem ao gênero. 

Qual a primeira vez que uma conheceu o trabalho da outra? Zélia conta que foi quando Mariene abriu um show dela com Simone há vários anos. “Fiquei muito impressionada com sua força!”, diz ela. Para Mariene, essa memória também é nítida: “Desde criança, eu já ouvia as músicas dela”. 

Zélia e Mariene se dizem felizes com a experiência do show em dupla. “Tem leveza, músicos excelentes, um painel lindo do Gringo Cardia. Espaços pequenos que ficam grandiosos”, descreve Zélia. O repertório ficou a cargo de José Maurício Machline, que assina roteiro e direção da turnê, e reúne desde canções da discografia de cada uma delas até composições de nomes como Martinho da Vila, Gilberto Gil, Roque Ferreira, Chico Buarque, Dona Ivone Lara e João Bosco. 

A dinâmica do show prevê momentos em que elas cantam juntas e também separadamente. “O Zé Maurício nos conhece bem e tem uma intuição fina”, diz Zélia. “Poder da Criação, Nó na Madeira e Cai Dentro são algumas que cantamos juntas.” Ainda no repertório cantado em duo, Mariene menciona a presença da música Água de Chuva no Mar. “Com a Zélia, canto alguns clássicos do samba”, lembra a cantora.

Nos solos, Zélia Duncan interpreta algumas canções do novo disco, que combinam bem com a atmosfera da apresentação, caso de Vida da Minha Vida, Antes do Mundo Acabar e Olha, o Dia Vem Aí, além de outras composições, como De Qualquer Maneira e Estação Derradeira. Já Mariene de Castro vai de Roque Ferreira, em Ponto de Nanã; Done Ivone Lara, em Mas Quem Disse Que Te Esqueço; e uma do Nelson Rufino, Amuleto da Sorte, que ela gravou no seu disco Tabaroinha, entre outras canções. 

A proposta do show é que as duas cantoras fiquem no palco o tempo todo. Em clima informal, elas têm liberdade para contar histórias e, se quiserem, uma participar da música da outra, mesmo que isso não esteja no roteiro. “Reagimos espontaneamente e, como somos amigas de verdade, damos também boas risadas com os músicos e o público. A alegria do samba dá o tom”, comenta Zélia. Mariene gosta da ideia de compartilhar o palco com Zélia durante o show inteiro. “Acho muito bacana, pois tenho a oportunidade de reverenciar uma bela cantora, e hoje amiga, como a Zélia é.” 

Com seu disco de samba, Zélia dá um passo importante de encontro ao gênero. “Vozes como a de Zélia sempre serão bem-vindas no samba”, elogia Mariene. “(Encontrar com Mariene no palco) é só alegria e a confirmação desse momento”, afirma Zélia. “Fora o fato de que tem sido um esquenta poderoso para meu show de lançamento no Sesc Vila Mariana, no fim de fevereiro.”

ZÉLIA DUNCAN E MARIENE DE CASTRO 

CCBB São Paulo. R. Álvares Penteado, 112, centro. Sábado (30), às 20h, e Domingo (31), 19h. R$ 10

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