Natália Russo/AE
Natália Russo/AE

White Lies anima público com seu repertório fúnebre

Em evento beneficente, banda britânica toca pela primeira vez no Brasil em show rápido e eficiente

Marcio Claesen, Estadão.com.br

11 Dezembro 2010 | 12h16

Os saltos altos e os vestidos vaporosos e floridos das muitas moças que chegavam ao Hotel Unique nesta sexta-feira 10 deixavam dúvidas sobre o que poderia acontecer com o show do White Lies, atração principal do Design for Humanity. O evento beneficente, em prol da Unicef, incluía uma vernissage, um desfile da grife patrocinadora e open bar, o que talvez tenha chamado atenção de plateias distintas. Assim que começou o show, entretanto, ficou claro: a banda britânica havia, sim, encontrado seu público.

A Place to hide, a primeira canção da noite, deu a partida para que os fãs entoassem, em uníssono, um a um os intricados versos de todas as canções do show, baseado no primeiro álbum do grupo, To Lose My Life (2009). Logo após, quando os ingleses "gastaram" a faixa-título e seu maior hit colocando-a como a terceira do setlist, a comprovação: eles sabiam o que estavam fazendo. As 12 músicas foram celebradas como se cada uma fosse o grande clássico do grupo, inclusive Holy Ghost, Strangers e Power & Glory, três faixas do novo trabalho da banda, Ritual, que será lançado em janeiro.

A voz potente de Harry McVeigh - só ele não acha que seu timbre e o som de sua banda são uma comparação natural com Ian Curtis/Joy Division - contrasta com seu gestual de pouco efeito de um garotão que podia ter sido escalado para interpretar algum personagem nerd em um filme do Guy Ritchie. Além de alguns sorrisos, ele mal se comunica com a plateia, diz que está feliz por estar em São Paulo, mas não apresenta a banda, que conta, em suas apresentações, com reforço de Tommy Bowen (nos teclados), além dos dois outros integrantes, Charles Cave (no baixo e vocais) e Jack Lawrence-Brown (na bateria).

Se From the stars e Unfinished business foram o ponto alto do show, foi Farewell to the fairground, a décima canção, que suscitou uma breve invasão da passarela na frente do palco, enquanto fãs ecoavam seu refrão pouco convidativo a uma melodia tão animada, "adeus a essa cidade morta/ Até que o gelo comece a derreter".

Versos mórbidos, por sinal, aparecem em todas as músicas. "Você tem sangue em suas mãos/ E eu sei que é meu", ou "Vamos envelhecer juntos/ E morrer ao mesmo tempo" fazem o White Lies celebrar culpa, dor, solidão e até amor, mesmo que por vias tortas. A última canção, Death, se encarrega de fechar essa espécie de obituário musical que, ao contrário, só revigora o público no final do show.

Setlist

A Place To Hide

Holy Ghost

To Lose My Life

Bigger than us   

Peace & Quiet    

E.S.T.    

From The Stars    

Strangers    

Unfinished Business    

Farewell To The Fairground     

Power & Glory

Death

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