Anton Corbijn
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The Killers se reergue com novo disco e a ambição de voltar a soar sujo

Cinco anos depois, The Killers volta com novo disco e sonoridade jovem, mas sem esquecer a maturidade

Pedro Antunes, O Estado de S.Paulo

11 Agosto 2017 | 06h02

Dois anos atrás, Brandon Flowers conversava com o Estado da sua casa nos arredores de Las Vegas – próximo de onde moram os outros quatro integrantes da banda dele, The Killers. Ao telefone, ele se mostrava animado com o então novo disco solo, The Desired Effect, lançado alguns dias depois.

“Os caras (da banda) às vezes querem descansar, querem ficar com suas famílias. E então, eu sigo. Foi assim com o meu primeiro álbum (‘Flamingo’, de 2010) e é assim de novo. Sem o Killers”, dizia o norte-americano e líder de uma das mais bem-sucedidas bandas de rock do novo século, surgida em 2001. “Eu continuo seguindo, sempre em frente.” 

Ser uma banda sensação é exaustivo, explicava Flowers. E o Killers faz mais de 100 apresentações em um ano de turnê, quando tem um novo álbum e uma nova porção de canções para mostrar. E é esse o atual momento da banda do Estado de Nevada, nos Estados Unidos.

O Killers está de novo em movimento. No dia 22 de setembro chega às lojas Wonderful Wonderful, o quinto trabalho de estúdio do quarteto – que, nas imagens, é um trio porque Dave Keuning, o guitarrista, inexplicavelmente não quis participar das sessões das fotos de divulgação. 

ANÁLISE: ‘Mr. Brightside’, do The Killers, é o hit indie eterno, aqui ou no Reino Unido

Quem justifica o intervalo de cinco anos desde Battle Born é o baterista Ronnie Vannucci Jr.: “Sabe, é preciso entender que nós nos cobramos muito a cada novo disco. De qualquer forma, não é que ficamos parados ao longo desse tempo”, justifica-se. No intervalo, o Killers rodou o planeta – e foi uma das atrações do festival Lollapalooza Brasil em 2013 –, lançou um disco natalino, uma coletânea.

“Chegou um momento em que eu e Brandon, que estávamos trabalhando nos nossos projetos solos, nos encontramos. Pensamos se seria o momento de seguir sozinhos ou se iríamos reunir o Killers. Decidimos começar a trabalhar em um novo disco. E assim ele nasceu”, explica Vannucci Jr. sobre o encontro com o vocalista da banda, em outubro do ano passado. 

Com o Killers de volta às turnês, nascem as especulações de que a banda voltará ao Brasil para a quarta passagem pelo País. As informações extraoficiais dão conta de que a banda é uma das favoritas a encabeçar novamente uma das noites do Lolla de 2018, agora realizado no Autódromo de Interlagos. Vannucci Jr., contudo, prefere não entregar o jogo. “Não é nada totalmente certo, mas estamos trabalhando para voltar o quanto antes.” 

A busca por um hit

Naquela noite, os integrantes do The Killers perceberam o clique – ele era quase audível. Em 1.º de outubro do ano passado, Brandon Flowers (voz), Dave Keuning (guitarra), Mark Stoermer (baixo), Ronnie Vannucci Jr. (bateria) revisitaram o material de Sam’s Town, o segundo álbum do quarteto de Nevada, lançado dez anos antes, em um show no hotel de mesmo nome, também em Las Vegas. Na época, Vannucci Jr. disse “não haver melhor fonte da juventude do que tocar as canções de Sam’s Town nesse lugar”. 

Era o que estava faltando para que o The Killers voltasse sua sonoridade à crueza do movimento de pós-garage rock que resgatou o som de guitarra dos nichos e levou a banda ao topo no início do século, com os dois primeiros discos, Hot Fuss, de 2004, e o já citado Sam’s Town, de dois anos depois.

“Aquele show nos prendeu de volta a um lugar que não havíamos chegado nos nossos últimos trabalhos de estúdio”, admite o baterista ao Estado, por telefone. 

Wonderful Wonderful, o fruto daquela digressão, está prestes a ganhar vida. O quinto disco chega às lojas em 22 de setembro cercado de expectativas. São cinco anos desde o lançamento de Battle Born, seguido de uma turnê, um disco natalino, uma coletânea de singles e um hiato. “A coletânea serviu para zerar as nossas cabeças. Encerramos um capítulo e começamos um novo”, diz. 

A partir daquela noite, conta Vannucci Jr., a banda entendeu que precisava mesmo olhar para trás para resgatar a essência e deixar de lado o rock grandioso, cheio de atmosferas e perfeitinho demais, preparado para ecoar estádios mundo afora. Mais do que Sam’s Town, o Killers tenta resgatar a efervescência do hit Mr. Brightside, de 2004. De acordo com os ouvintes ingleses, é a maior canção indie daquela geração e, desde lançada, só não integrou o top 100 de mais tocadas no Reino Unido por dois anos. 

O próprio sucesso da canção é um mistério para o baterista. Para ele, a popularidade da música tirou-lhe o sentimento de propriedade com relação à canção. “É quase como se ela, hoje, fosse de domínio público”, ele brinca. “É curioso, para mim, tentar o que faz com que as pessoas se atraiam por ela. Eu gosto de Mr. Brightside, mas não sei explicar o motivo.” 

A aproximação de Wonderful Wonderful com os primeiros discos é disfarçada. O primeiro single do álbum, The Man, é ainda Killers das arenas, quase genérico. Run For Cover, a segunda a sair, já tem aquela batida acelerada que obriga Brandon Flowers a correr para não ficar para trás, com uma voz gritada, estridente e propositalmente estourada.

É a partir dessa canção, a quinta de um álbum de dez, que se inicia o experimento do Killers em olhar para traz e resgatar suas qualidades mais lo-fi. Em Have All The Songs Been Written, eles refletem sobre a eficiência de buscar um novo hit em uma balada melancólica temperada pela guitarra chorosa de Mark Knopfler (do Dire Straits).

Mas eles já encontraram: Tyson Vs Douglas tem potencial para encher as pistas de dança com aqueles que cresceram e envelheceram, tais quais os Killers, ao som de Mr. Brightside. “É uma canção sobre o medo de decepcionar alguém. Como o medo de um pai diante da desilusão do filho”, explica Vannucci Jr. “Nós crescemos e estamos percebendo o que realmente importa.” 

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