The Killers é máquina de triturar hits

Banda americana consegue reger o maior coral humano do TIM festival; Juliette Lewis mergulha na platéia

Jotabê Medeiros, do Estadão,

27 Outubro 2007 | 23h42

A banda americana The Killers foi o destaque da segunda e última noite do TIM Festival 2007, no Rio de Janeiro. Alguns motivos da supremacia de palco do grupo liderado pelo vocalista Brandon Flowers: eles conseguiram reger o maior coro humano do festival, em torno das canções Enterlude e Somebody told me; eles emendaram um hit atrás do outro, coisa bem difícil hoje no mundo do pop rock internacional; eles fazem um pop desavergonhado, entretenimento puro, sem a ambição artística.   Veja também:   Björk mostra por que é uma artista rara Ingleses do Artic Monkeys empolgam público do TIM Festival Galeria de fotos do show da Björk  TIM Festival tem atraso e mudanças na primeira noite do Rio   O cantor Brandon Flowers, com seus terninhos de crupiê de cassino, o bigodinho e a pose de "eu quero ser Freddie Mercury" são elementos de atração gravitacional irresistível para a platéia. E eles fazem valer cada centavo do seu cachê: tocaram cerca de uma hora e meia sem muito blábláblá, apenas uma declaração de agradecimento por estar "no seu belo país" e uma reverência aos "irmãos e irmãs" da platéia (quase uma reverência de reverendo mórmon). Mais de uma hora e meia de música narcotizante, irresistível.   Brandon canta o show inteiro praticamente sozinho, não dobra vozes com o guitarrista, o poser Dave Keuning, nem com o baixista, o caladão Mark Stoermer. De vez em quando, ele canta e toca teclado com uma mão só. Baixinho, agiganta-se frente ao seu público com um punho cerrado, montado nas caixas acústicas, batendo a cabeça energicamente num tamborim invisível. Brandon só espera um sinal dos céus para sair do armário, mas enquanto isso cria um suspense que atrai a rapaziada.   O cenário do show Sam’s Town, título também do disco mais recente da banda americana, evoca uma daquelas cidades que abrigam estações de esqui no Colorado, um lugar ermo onde as árvores todas, até as mortas, são decoradas com luzes de Natal, e os pubs são áridos, e nada acontece senão na cabeça das pessoas. Quando Brandon Flowers finalmente ordena que se acenda o letreira no fundo do palco, da cidade fictícia de seu álbum, e toca Exitlude ao teclado, anunciando uma saída que não se consuma, fica tudo mais claro, tudo menos enevoado.   A abertura de Juliette Lewis and the Licks foi um fenômeno à parte. Sua banda não é a melhor do mundo, mas a vontade de Juliette é maior que suas limitações. Em cinco minutos, ela já convenceu todo mundo de que merece sua atenção. Meninos e meninas que a imitam, com penas azuis na cabeça, passam pela multidão fazendo um trenzinho. Luana Piovani e Priscila Fantin estão na fila da cerveja, esperando um montão. Parece delírium tremens. Os meninos da banda de Juliette, como se fizessem parte de um harém às avessas, tiram a roupa e atacam numa superpercussão coletiva (mais uma, depois da passagem do Hot Chip), e ela quase tem de ser arrancada do palco à força, porque gostou demais da experiência. Roqueira matadora por natureza.

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