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Teresa Cristina canta a melancolia de Cartola em disco e show em São Paulo

Cantora, que se apresenta na capital paulista em nesta quinta-feira, 21, também prepara álbum solo

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Pedro Antunes,
O Estado de S. Paulo

21 Janeiro 2016 | 04h00

Nem mesmo os anos de experiência no palco, seja na Lapa carioca, onde despontou para o samba como figura a se prestar atenção desde o fim dos anos 1990, seja em shows com o Grupo Semente ou em projetos de homenagem a sambistas ilustres, foram capazes de preparar Teresa Cristina para aquela rasteira. Metafórica, é claro, mas desconcertante o suficiente para que a lembrança da estreia do show de lançamento de Teresa Cristina Canta Cartola, seu novo disco ao vivo, no Teatro Net Rio, na última segunda-feira, 18, ainda estivesse fresca nas suas memórias. 

Já em São Paulo, onde ela traz a mesma performance (com a adição de uma ou duas músicas, segundo ela) para a apresentação no Theatro Net São Paulo, hoje, ela ri da traquinagem melancólica que a derrubou no Rio, graças aos versos entristecidos de Cartola, o sambista e compositor morto em 1980 homenageado por ela nesse álbum e show. Não diz em qual momento daquela apresentação quase caiu no choro, mas entende que o repertório escolhido para esse projeto é sofrido o bastante para escorregar nas lágrimas. 

“Eu sempre fui um pouquinho melancólica”, conta a cantora de 47 anos. “Sou pisciana, filha de Oxum, essa melancolia sempre esteve perto de mim. Na hora de cantar, eu até procuro não ficar muito triste”, ela completa, embora admita que seja difícil não se levar pela tristeza – o formato, voz e violão de sete cordas comandado por Carlinhos 7 Cordas, auxilia na construção da mágoa contida nas canções do sambista. “Se você se deixa levar, leva essa rasteira, como aconteceu comigo. Não dá para levar muito a sério se não você não volta (do estado de tristeza). Até brinquei, no palco: ‘Que climão, né?’. Às vezes, a carapuça serve demais e estou ali, na frente de todo mundo. Fico repetindo para mim mesma que aquela música não é sobre mim, não é para mim.” 

Agora empresariada por Paula Lavigne e nova integrante do time da Uns Produções, Teresa deu início às homenagens a Angenor de Oliveira, mais conhecido como Cartola, no primeiro semestre de 2015, ao realizar uma apresentação especial de meia hora de duração no Real Gabinete Português de Leitura, no centro do Rio. “Cantei só sucessos”, ela lembra. “Foi maravilhoso, percebi que queria fazer mais shows como esse.” 

Em 16 de novembro, Teresa foi ao Theatro Net carioca e criou a versão ampliada do pocket show de meses atrás. O registro foi transformado em CD e DVD (ambos lançados só em formato digital), com o qual agora ela discorre pelos palcos paulistanos. O show de hoje já está com ingressos esgotados, mas ela volta ao mesmo Theatro Net São Paulo no próximo mês, em 21 de fevereiro, para uma nova apresentação. 

Embora o repertório azeitado de Cartola se mantenha quase o mesmo, com grandes canções tais quais O Mundo É Um Moinho, Ao Amanhecer, Disfarça e Chora, Tive Sim, Acontece e As Rosas Não Falam, os arranjos de Carlinhos variam, transformando trechos e arranjos. “O Carlinhos brinca com os versos”, ela explica. 

O projeto de Cartola, diz a cantora, “ajuda a esfriar a cabeça” com relação ao disco solo e autoral que ela prepara para a metade de 2016. O primeiro inteiramente autoral, com parcerias com Marisa Monte, Moacyr Luz, Mosquito e Adriana Calcanhotto. É um grande passo para a cantora cuja carreira entrelaçava o trabalho com o Grupo Semente, banda de samba que nasceu com ela no bar de mesmo nome na Lapa, flertes com o rock em versões cheias de guitarra de Roberto Carlos e projetos de homenagens a outros sambistas como Paulinho da Viola (trabalho com o qual despontou no cenário nacional), Antônio Candeia Filho, Elizeth Cardoso. “Cada um desses (sambistas) tem uma identidade muito própria”, ela resume. “Quando embarco em projetos assim, tenho a oportunidade de viver uma vida que não é a minha”, diz. Com o novo álbum, Teresa escancarará sua versão de compositora, já exercitada aos poucos, mas nunca em um álbum completo. “Estou para fazer 48 anos, já é momento de fazer um disco assim.” 

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