Evelson de Freitas/Estadão
Evelson de Freitas/Estadão

Teatro Municipal de São Paulo quer ampliar contrato de gestão

OS deve anunciar temporada, mas nova administração pode cancelar contrato

João Luiz Sampaio, ESPECIAL PARA O ESTADO

07 Outubro 2016 | 05h00

O Instituto Brasileiro de Gestão Cultural, organização social responsável pela gestão do Teatro Municipal de São Paulo, deve lançar nas próximas semanas a temporada 2017 e já trabalha na escolha de substitutos para o maestro John Neschling, ex-diretor artístico e regente titular. Apesar da proximidade da troca política na Prefeitura, com a vitória de João Dória nas eleições, o contrato de gestão firmado entre o município e o IBGC vai até agosto do ano que vem; e está sendo estudada a possibilidade de extensão até o fim de 2017.

“Há um contrato que precisamos cumprir. E a extensão, se for possível, tem como objetivo permitir o anúncio de uma temporada até o fim do ano e não só até julho”, diz o presidente do IBGC, Pedro Gattoni. “Se a nova gestão entender que o contrato precisa ser cancelado, é uma opção. Mas, antes que uma outra OS seja escolhida, o cancelamento vai significar a demissão de 450 funcionários, entre eles os músicos”, explica. Segundo a assessoria de imprensa do prefeito eleito, o Municipal “é, pela importância que tem como patrimônio da cidade, uma questão a ser tratada com enorme carinho e cuidado pela nova gestão”. A manutenção do IBGC como OS contratada pela Prefeitura será ainda “fruto de discussões de um grupo de trabalho”. Entre os critérios a serem levados em consideração estão as conclusões das investigações sobre desvios de cerca de R$ 18 milhões pela antiga diretoria do IBGC.

Segundo Gattoni, a intervenção realizada pela Prefeitura no IBGC, entre janeiro e agosto, serviu para que ajustes e aprimoramentos fossem feitos na relação entre a OS e a Fundação Theatro Municipal de São Paulo. “O contrato de gestão já está no vigésimo aditamento, foi aperfeiçoado justamente para que desvios não possam acontecer. Aumentamos os mecanismos de fiscalização na fundação, reorganizamos os arquivos internos, criamos novos sistemas de prestação de contas e um sistema de controle informatizado, moderno e transparente”, diz.

Gattoni não quis adiantar detalhes sobre a proposta de temporada para 2017. “Será uma programação que valoriza o teatro, sua história e a relação com a cidade. E que entende o teatro como um organismo vivo, que vai além do seu palco e tem duas orquestras, dois coros, duas escolas, uma quarteto e uma nova preocupação com a área educacional e com o entorno”, afirma. A programação foi montada pelos representantes dos grupos do teatro. “Idealmente, um diretor artístico ofereceria uma linha curatorial que seria discutida por todos. Desta vez, não havia o diretor, e vimos que é possível que os corpos estáveis trabalhem juntos.” O diretor artístico da fundação será responsável pela programação da Praça das Artes e o diretor artístico da OS, pela programação do teatro. O diretor artístico não deverá ser também o regente: o plano é que o maestro seja escolhido entre os artistas convidados a participar da temporada.

Teatro está sob investigação

As investigações sobre irregularidades no Municipal tiveram início no fim de 2015, quando foram apurados pela Controladoria-Geral do Município desvios de R$ 18 milhões com notas frias de contratos superfaturados.

José Luiz Herencia, diretor da Fundação Theatro Municipal, e William Nacked, presidente do IBGC, organização social responsável pela gestão do teatro, assumiram participação no esquema, investigado pelo Ministério Público Estadual e também por um CPI instaurada na Câmara Municipal. 

O maestro John Neschling e o secretário de Comunicação Nunzio Briguglio também foram investigados. Ao mesmo tempo, a Prefeitura realizou intervenção no IBGC que, em agosto, passou a ser presidido por Pedro Gattoni. 

Há um mês, o conselho administrativo do IBGC votou pela demissão do maestro John Neschling. A programação prevista foi mantida, com as óperas Elektra e Fosca.

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