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Cultura

Thunderbird

Tarântulas lançam primeiro trabalho autoral

Banda de Thunderbird deixa trilha sonora de Tarantino de lado e se arrisca em novo projeto com canções próprias

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João Paulo Carvalho,
O Estado de S.Paulo

19 Março 2016 | 03h00

Thunderbird não se intimida quando fala sobre suas primeiras composições autorais à frente do Tarântulas. Com os cabelos despenteados e a barba gigantesca, o baixista e vocalista expõe suas ideias de forma rápida e intensa, como é o som da banda paulistana. “As músicas surgiram depois que o Guilherme Held (guitarrista) me mostrou algumas harmonias que ele havia preparado. Montei as letras todas em cima disso. Sempre tivemos vontade de gravar as nossas próprias composições. Era um desejo antigo”, diz o músico em entrevista ao Estado no estúdio onde a banda ensaia na zona oeste de São Paulo.

Quando ainda eram os Tarântulas & Tarantinos, nome antigo do conjunto, o power trio reproduzia nos palcos as trilhas sonoras dos filmes do diretor Quentin Tarantino. Há mais ou menos dois anos, no entanto, o baterista Felipe Maia, o guitarrista Guilherme Held e o baixista e vocalista Luiz Thunderbird decidiram ir além da paixão pelo renomado cineasta e começaram a compor as próprias músicas. “Temos muitas referências, de Pink Floyd a Led Zeppelin. Também gostamos das experimentações de Henry Mancini”, afirma Thunderbird. O resultado do investimento poderá ser visto neste sábado, dia 19, quando o grupo se apresenta no Centro Cultural São Paulo, às 19 horas. Esta será a primeira apresentação da banda com músicas autorais no repertório.

Rosto conhecido na televisão brasileira, Thunderbird, ex-VJ da extinta MTV Brasil, tem um longo caminho na música. No início da década de 1990, fundou a banda Thunderbird & Devotos de Nossa Senhora Aparecida. Eles têm ao todo três discos lançados. Embora veterano, fazia muito tempo que Thunder não participava com tanto interesse de um projeto musical. “Há tempos não curtia tanto fazer algo assim. Acho mesmo que o resultado ficou acima do esperado”, conclui o músico.

Até o momento, apenas três músicas foram finalizadas. Revolver, Supafuzz e Temper, por enquanto, só poderão ser ouvidas na plataforma digital. Em maio, o grupo deve lançar um novo compacto com duas canções inéditas e, no segundo semestre, um vinil que reunirá ao todo 10 canções. “Pretendemos gravar tudo no formato analógico. Isso é uma coisa que todos da banda curtem bastante. Talvez isso, de alguma forma, nos una musicalmente”, afirma o guitarrista Guilherme Held. Os singles são recheados de riffs, guitarras de peso e arranjos sintéticos de muita potência. Em sua primeira experiência conceitual, os Tarântulas apresentam um trabalho envolvente.

Ode a Tarantino. O set do show, com um repertório autoral, não assusta os rapazes. Os três são rodados no mundo da música. Além das três composições, os Tarântulas, que não quiseram revelar todas as músicas da apresentação, devem fazer algumas versões de clássicos do rock e, obviamente, das trilhas sonoras de Tarantino. “Não podemos nos esquecer das coisas que fazíamos antes e costumavam funcionar bem ao vivo”, lembra também Thunder.

Fãs do cineasta desde a adolescência, Thunder, Held e Maia exaltam a influência do diretor na vida artística de cada um deles. “Os filmes do Tarantino mudaram minha vida. O Pulp Fiction, com John Travolta, Samuel L. Jackson e Uma Thurman, é o meu favorito. As ideias do longa são apresentadas de um jeito maravilhoso. As idas e vindas e toda a reviravolta prendem a atenção do começo ao fim”, diz o baterista Felipe Maia. “Mais do que uma influência, podemos dizer que o Tarantino, de uma forma geral, moldou nosso caráter desde muito cedo. Toda aquela extravagância contribuiu”, crava Thunder.

TARÂNTULAS

Centro Cultural São Paulo. Rua Vergueiro, 1.000, telefone 3397-4002. Paraíso. 

Sáb. (19), às 19h. R$ 15

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