EFE
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Sting volta ao rock em '57th and 9th'; refugiados e morte são tema do disco

Britânico pediu autorização de sírios para gravar 'Inshallah'

O Estado de S.Paulo

03 Outubro 2016 | 18h30

Em seu disco mais recente, o cantor britânico Sting abraçou a crise dos refugiados. Para fazer isso, encontrou-se em Berlim com músicos que fugiram da Síria e pediu permissão para gravar uma canção deles. "Senti que era importante ter a autorização", afirmou Sting à AFP sobre a música Inshallah. A letra fala de uma pessoa que se está em um bote desesperada para se salvar. A faixa está no álbum 57th and 9th, que sai em 11 de novembro. No trabalho, o ex-integrante da banda The Police volta ao rock após anos afastado.

O cantor, que completou 62 anos neste domingo, 2, e por muito tempo comprometeu-se com causas políticas, apoiando a Anistia Internacional, também faz no disco uma reflexão sobre a própria morte.

Sting pediu aos sírios que compartilhem suas histórias e façam com ele uma versão de Inshallah para a edição de luxo do álbum.

"'Inshallah é uma bonita palavra da língua árabe, que é um tipo de resignação, é a vontade de Deus, e é uma palavra que descreve algum tipo de esperança, de coragem", comentou Sting. "Não sei qual seria a solução política, mas acho que, se houver uma solução, ela tem que estar arraigada à empatia, por exemplo, para o que acontece com as vítimas da guerra na Síria neste momento, as vítimas da pobreza na África e, quem sabe, com o futuro das vítimas do aquecimento global".

A mudança climática também aparece no álbum, em One fine day, em que Sting reza em tom de brincadeira, dizendo que o rápido aquecimento da terra é um engano. Ele disse que decidiu ser um otimista, apesar de sentir que o mundo se move para a direita.

"Como estratégia de vida eu acho que o otimismo foi o melhor caminho a tomar na maioria das coisas e continuo fazendo isso, mas está cada vez mais difícil ser otimista."

Um inglês em Nova York

57th and 9th começa com o rock I can's stop thinking about you, uma canção de amor. A volta de Sting às origens de seu rock chega após décadas de experimentação, que incluem um álbum de luto, uma interpretação sinfônica de canções do Police e o musical da Broadway The last ship, sobre a construção de seu povo no norte da Inglaterra.

Depois de vender mais de 100 milhões de álbuns, Sting reconhece sua sorte por não ter de se preocupar com pressões comerciais. Talvez por isso, esteja buscando uma mudança: "O aspecto mais importante na música, na minha opinião, é a surpresa".

O título do disco é o mesmo de uma esquina de Manhattan pela qual Sting, que mora perto do Central Park com a mulher, a atriz Trudie Styler, cruza todos os dias.

"Nova York sempre foi uma inspiração para mim, sua expressão arquitetônica, o clamor da cidade, o trânsito, o barulho", explicou. Sting diz que agora gosta da cidade como um desconhecido. "Só um inglês em Nova York", acresceu, sorrindo, em referência a uma de suas músicas mais conhecidas. "Eu estou muito melhor como um desconhecido e desfruto isso."

Refletindo sobre a morte

Consciente de ser um estrangeiro, Sting se mantém afastado da política americana, mas diz que "acompanha extremamente de perto" as eleições.

Sobre a política britânica, Sting se declarou "horrorizado" pelo voto de 23 de junho, quando seu país optou por deixar a União Europeia, após uma campanha repleta de "medo sem sentido". Apesar de aparentar boa saúde, Sting está cada vez mais reflexivo depois da morte neste ano de grandes músicos entre os que estão David Bowie e Prince.

Em uma das canções do novo álbum, "50.000", Sting canta sobre glórias passadas, olhando para si mesmo no espelho de um banheiro. Diz que é tempo de refletir sobre a morte. "Isso não é ser mórbido. Acho que aceitar que se é mortal é de fato enriquecedor, porque cada dia conta, todas as experiências contam."

 

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