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Sinfônica Estatal Russa apresenta quatro concertos em SP

Com o maestro Terje Mikkelsen, orquestra faz apresentação para crianças, espetáculo ao ar livre e toca na Sala São Paulo

João Luiz Sampaio, Especial para O Estado de S. Paulo

11 Abril 2015 | 03h00

A memória leva o maestro norueguês Terje Mikkelsen de volta às aulas de música na infância. A professora, ele conta, costumava tocar ao piano O Moldávia, de Smetana. E, em seguida, pedia a ele que desenhasse suas impressões sobre a música. “Foi construindo imagens que meu cérebro começou a compreender a linguagem musical”, ele diz. “Cores e formas acessavam o mundo fantástico que a música sugeria e não consigo imaginar maneira melhor de introduzir a criança neste universo.”

A lembrança volta não por acaso. “Se há algo importante a se fazer no mundo da música clássica de hoje é prestar atenção nas crianças. Elas precisam estar nas salas de concerto, a música pode ser fundamental na vida delas”, diz o maestro, que desembarcou ontem em São Paulo com os músicos da Sinfônica Estatal Russa. Eles abrem a temporada do Mozarteum Brasileiro e o fazem com quatro concertos. E o primeiro, neste sábado, 11, no Auditório Ibirapuera, é voltado justamente para o público infantil. 

Eles vão interpretar o balé A Bela Adormecida, de Tchaikovski, e a suíte Peer Gynt, escrita por Grieg em parceria com o dramaturgo Henrik Ibsen. O violista Marcelo Jaffé será o narrador. “O desafio é mostrar para a criança o que há de bonito, fantasioso e pitoresco nessas histórias. O fantástico é quando a música entra dentro dela e ela consegue se relacionar com o que está proposto. E peças como essas, tão repletas de cores e emoções, são ideais para isso.”

Grieg é norueguês; Tchaikovsky, russo. E a música dos dois países estará representada também nas outras apresentações do grupo: amanhã, tocam obras dos dois autores e de Johan Halvorsen na plateia externa do Auditório Ibirapuera; e, na segunda e na terça, acrescentam ao programa o Concerto para Violoncelo de Dvorak (com solos de Alexander Buzlov). É um programa bem comportado, talvez até demais, em especial para um maestro como Mikkelsen, que construiu uma reputação como intérprete de criações contemporâneas. Mas ele acredita que, no final das contas, as obras escolhidas – como a Sinfonia n.º 4 e a Abertura Romeu e Julieta de Tchaikovsky e a Norwegian Rhapsody de Halvorsen – são significativas do seu trabalho e do da orquestra, criada no final dos anos 1930.

“Há algumas conexões interessantes. Grieg e Tchaikovsky admiravam bastante um ao outro e é interessante ter obras dos dois lado a lado. E uma orquestra como essa precisa mostrar o que é capaz de fazer com o repertório de seu país. O som deles é muito especial, poderoso, há uma inteligência no modo como articulam as notas, no fraseado. Sabe, eu nasci na Noruega e passei boa parte da minha vida na Rússia, e posso dizer: são povos bem parecidos, sensibilidades afins. Espero que o público consiga perceber essas aproximações nos nossos concertos.”

RUSSIAN STATE SYMPHONY ORCHESTRA

Auditório Ibirapuera. Pq. Ibirapuera. Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº, portão 2, 3629-1075. Sáb., 16h. Grátis (retirar ingresso 1h30 antes; acesso para adulto acompanhado de, no mínimo, duas crianças); dom., 11 h, grátis, na Plateia Externa do Auditório.
Sala São Paulo. Praça Júlio Prestes, 16, Luz, 3367-9500. 
2ª e 3ª. 21 h. R$ 150/R$ 400. 

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