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Cultura

Elis Regina

Shows gratuitos pelo País vão reunir Os Paralamas do Sucesso, Nando Reis e Paula Toller

Apresentações terão repertório recheado de grandes sucessos

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Roberta Pennafort,
O Estado de S.Paulo

16 Março 2016 | 19h28

RIO - Depois de Elis Regina, Tom Jobim, Tim Maia e o centenário do samba, o rock brasileiro está sendo reverenciado na nova edição do projeto Nivea Viva. Dos roquinhos de Celly Campello (1942-2003) à cena atual, sete shows gratuitos patrocinados pela indústria de produtos para a pele serão realizados em Porto Alegre (dia 3/4), Rio (10/4), Recife (30/4), Fortaleza (15/5), Salvador (22/5), Brasília (5/6) e São Paulo (26/6), com repertório só de lados ‘A’ capaz de agradar até mesmo a quem não tem carteirinha de roqueiro.

No centro do palco, Os Paralamas do Sucesso, Nando Reis e Paula Toller, da geração do BRock nascido na década de 1980, e Pitty, ícone do que se fez dos anos 2000 para cá, acompanhados de uma banda formada por Dado Villa-Lobos (guitarrista da Legião Urbana), Maurício Barros (tecladista do Barão Vermelho), Milton Guedes (gaitista e saxofonista), Liminha (baixista dos Mutantes e produtor de boa parte da música brasileira) e Rodrigo Suricato (voz e guitarra da banda Suricato). O lançamento foi terça-feira, dia 15, no Vivo Rio.

O repertório, em ordem cronológica, tem sucessos de todos os artistas e bandas de pop rock mais expressivas dos últimos 60 anos, do medley Banho de lua/É proibido fumar/Pode vir quente que eu estou fervendo/Quero que vá tudo pro inferno a hits de Pitty (Me adora), Los Hermanos (Anna Julia) e Suricato (Talvez), com ênfase nos Paralamas (Óculos, Meu erro), Titãs (Sonífera Ilha, Marvin), Legião Urbana (Tempo perdido, Será e Monte Castelo), e, menos, ao Barão Vermelho (Pro dia nascer feliz), Ultraje a rigor (Ciúme), Blitz (A dois passos do paraíso) e Kid Abelha (Como eu quero).

Os números homenageiam ainda a Jovem Guarda e artistas seminais, como Raul Seixas, Rita Lee, Renato Russo, Cazuza e Cássia Eller, com imagens mostradas em projeções, e fazem referência à Tropicália, RPM, Capital Inicial, Marina Lima, Skank, O Rappa, Nação Zumbi, Charlie Brown Jr, Raimundos, Jota Quest e Lulu Santos. No show de terça, foram entremeados por falas confessionais: “O que a gente está contando é a história das nossas vidas”, disse Dado Villa-Lobos, que atualizou a letra de Tempo Perdido: aos 50 anos, cantou “fomos tão jovens”.

“Foi nadando nesse caldeirão que eu, como muitos da minha idade, dentro de um Brasil muito confuso, talvez tanto quanto o de hoje, encontrei a possibilidade de ter uma voz”, contou Nando Reis. “Não foi em São Paulo, no Rio, no Sul, em Brasília, foi em todo o Brasil. Não gosto de colocar o rock como algo segmentado em Estados, nem à margem da Música Popular Brasileira. Sempre acreditei que a MPB era a música feita e tornada popular no Brasil.” Rodrigo Suricato estava emocionado: “Eu me sinto como se tivesse sido contratado pelo Barcelona. Achava que esses caras eram inatingíveis, e agora estou aqui fazendo um som com eles”.

A direção-geral é de Monique Gardenberg e a direção musical de Liminha, que manteve muitas músicas com a cara original, para não desagradar ao público. Os convidados da Nivea viveram momentos de karaokê em músicas como Marvin, Meu erro, Olhar 43, Vou deixar e Do seu lado. Foram 2h30 de bailão de pop rock. “É uma alegria acima das palavras”, classificou Herbert Vianna. “Música não é exatamente matéria, é o que fica no ar”, definiu Nando, antes do bis, com É preciso saber viver e Agora só falta você.

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