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Selvagens à Procura de Lei canta a saudade de Fortaleza em novo disco

Banda lança ‘Praieiro’, terceiro disco da carreira, e banha com Sol a melancolia da ausência

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Pedro Antunes,
O Estado de S.Paulo

02 Março 2016 | 04h00

A saudade é, por vezes, inevitável. Traiçoeira, até. Quatro rapazes de Fortaleza, há três anos longe da brisa do mar que lhes é tão familiar, encontraram no disco “paulistano” da curta carreira uma forma de estar próximos de casa de novo. Praieiro, terceiro álbum do Selvagens à Procura de Lei, lançado de forma independente na última terça-feira, 1.º, é uma ode à antiga vida levada por Rafael Martins (voz e guitarra), Gabriel Aragão (voz e guitarra), Caio Evangelista (voz e baixo) e Nicholas Magalhães (voz e bateria).

Não entenda isso como algo melancólico, contudo. Praieiro é a reconstrução, ainda que subconsciente, da identidade do quarteto que passou 20 e poucos anos na capital do Ceará. A mudança para São Paulo se deu por ambições profissionais. “Queríamos viver de música”, lembra o jovem Rafael Martins. A banda havia lançado o disco que levava seu nome, pela gravadora Universal, e seguia marcha constante em direção ao sucesso cada vez mais trabalhoso de se alcançar para uma banda de rock. Foram capazes de erguer uma boa e sustentável base de fãs, passaram por festivais grandes como o gigante Lollapalooza no Brasil, em 2014. No momento de gravar o novo disco, o terceiro, já estabelecidos na capital paulista, foi inevitável o retorno ao calor fortalezense, mesmo que de forma onírica.

Praieiro, cujo show de lançamento está marcado para esta sexta-feira, 4, no paulistaníssimo Sesc Pompeia, acrescenta novos sabores e gostos ao som do Selvagens. Baixo, guitarra e bateria, a tríade roqueira, ganham auxílio para se enveredar para flertes com reggae e até xote. Tudo nascido e confeccionado dentro da casa escolhida como morada pelos quatro recém-saídos dos vinte e poucos anos. “Construímos um estúdio em casa”, explica Martins. “Começamos a compor ali. As músicas foram saindo até que chamamos o David (Corcos, produtor do segundo e terceiro discos) para que ele pudesse ouvir algumas das músicas prontas.” Corcos avisou: “Vocês já têm um disco. Vamos para o estúdio”.

E lá foram eles para o Red Bull Studios, no centro da cidade. “Não queríamos nos repetir”, conta Martins sobre as experimentações e as novas roupagens. “Em todos os discos, queremos fazer coisas diferentes. Não tivemos medo de jogar diferentes influências junto. Seria muito fácil fazer um novo Brasileiro ou uma nova Despedida. Mas compomos o que estamos vivendo.”

Diante de um cenário tão paulistano, registraram versos distantes. Em Lua Branca, o quarteto pinta um cenário criado com base em lembranças registradas nas praias. “É uma canção que estabelece uma relação mais direta com as noites em Fortaleza.” Mas até mesmo quando não há vocais, como é o caso em Praieiro, única canção instrumental do álbum, é evidente como o disco é uma passagem de ida – sem retorno garantido – à origem dos rapazes. Não que a vida em São Paulo seja ruim de algum modo. Eles compõem mais juntos e seguem, unidos, por essa caminhada. Mesmo que seja a 2,4 mil km de casa. “Estamos mais próximos”, diz Martins. “Decidimos por isso. Esse é o plano A. Não tem plano B.”

SELVAGENS À PROCURA DE LEI

Sesc Pompeia. Choperia. Rua Clélia, 93, Pompeia, 3871-7700. 

6ª (4), às 21h30. De R$ 6 a R$ 20. 

Ouça "Praieiro": 

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