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Rock in Rio anuncia Katy Perry como atração em 2015

Empresário Roberto Medina diz que falta de ineditismo nas atrações é reflexo da crise de renovação de ídolos

Julio Maria, O Estado de S. Paulo

26 Setembro 2014 | 19h58

O Rock in Rio fez ontem uma ação publicitária em Nova York para festejar seus 30 anos, anunciar a primeira edição norte-americana do festival e começar a divulgar as atrações que estarão na próxima temporada brasileira do evento.

A investida do empresário Roberto Medina se deu no famoso quadrilátero da Times Square, em Manhattan. O prédio da Nasdaq sediou um coquetel para 200 convidados, entre eles jornalistas brasileiros, portugueses e norte-americanos, e cerca de 50 telões exibiram imagens históricas do festival. O guitarrista John Mayer, o grupo No Doubt e a banda Sepultura, com participação dos Tambores du Bronx, estavam previstos para pocket shows. “Em 1985, o Rock in Rio abriu as portas do País para os grandes shows internacionais e, de lá para cá, leva o Rio no nome para onde quer que vá, evidenciando o Rio de Janeiro e o Brasil”, disse Medina.

A edição Las Vegas será antes da edição Rio, nos dias 8, 9, 15 e 16 de maio de 2015. O evento volta à Cidade do Rock quatro meses depois, em setembro, e vai durar sete dias, como nas últimas edições: de 18 a 20 e de 24 a 27. Katy Perry, que já se apresentou em 2011, volta a ser uma das atrações principais do Palco Mundo. Nos Estados Unidos, o Metallica, que também já passou pelas edições brasileiras de 2011 e 2013, está confirmado, assim como a banda Linkin Park, outro nome do Palco Mundo norte-americano. Dona de seis álbuns lançados em estúdio e mais de 60 milhões de discos vendidos no mundo, o Linkin Park é uma das bandas com mais seguidores no Facebook: 65 milhões. O show deverá ser feito com o repertório de seu álbum mais recente, The Hunting Party.

O cantor e pianista norte-americano John Legend já havia sido confirmado para os palcos Sunset de Brasil e Estados Unidos. E as bandas Deftones e No Doubt estarão na edição EUA.

Ingressos. Começou ontem também a venda de ingressos para o Rock in Rio norte-americano. Segundo a organização, fãs de mais de 40 países já haviam reservado entradas mesmo sem saber das atrações. Roberto Medina falou ao Estado, por telefone, da Times Square. “Eu não sentia o que eu estou sentindo neste momento desde 1985, quando fiz o primeiro Rock in Rio. Não estava nervoso até ontem (quinta-feira), mas comecei a ficar quando fizemos o teste de telões na Times Square.”

Seus desafios maiores, afirma, serão os relacionados à doutrinação de um mercado que, segundo ele, não sabe o que é patrocínio em festivais de música. “Em esportes eles sabem, mas em música, não. Vamos ter que explicar o que é ativação das marcas no local dos shows, por exemplo.” Medina diz, no entanto, que já conta com mais receita de patrocínio do que o tradicional festival de Coachella. “Ainda está longe do que eu preciso, mas já tenho o dobro deles.”

Atrações repetidas. O calcanhar de Aquiles do Rock in Rio tem se tornado a falta de ineditismo. Os nomes que vêm ao Brasil pela primeira vez estão cada vez mais raros. E cada vez mais frequente o repeteco, o que enfraquece o impacto do evento. Medina diz que o problema está na crise de renovação de ídolos no mundo. “A música no Brasil não dá audiência na TV, é difícil construir (novos ídolos) assim. A renovação é pequena, mas isso é um problema no mundo.”

Uma previsão mais apocalíptica diria que, entre 15 e 20 anos, quando uma geração de heróis pop sair dos palcos, um festival como o Rock in Rio poderá não ter mão de obra para justificar sua existência. “Eu concordo com você, mas é aí que temos de fazer empreendimentos maiores. Imagine que o lugar mais querido da Cidade do Rock na última edição foi a Rock Street (espaço para apresentações de dançarinos de rua). As pessoas estão indo para o festival para se socializar, para estarem lá, não mais pelo que acontece no palco.” Uma realidade que não encontra similares nos EUA. “Aqui (nos EUA) não é assim, as pessoas querem ver o palco.”

Los Angeles vai contar com quatro dias de shows, com expectativa de 85 mil pessoas por dia. Medina acredita que terá o espaço lotado em todos eles. “Tenho a obrigação de entregar bandas que possam atrair 85 mil pessoas por dia.” 

Está sendo montado um equivalente à Cidade do Rock em Las Vegas, que seguirá a mesma estratégia de pulverizar sensações por outros espaços além dos palcos. Apresentações de bumba meu boi, capoeira, bossa nova e frevo com jazz farão parte da programação. 

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