Divulgação
Divulgação

Richie Sambora, ex-guitarrista do Bon Jovi, faz shows em SP e descarta volta à banda: 'Não agora'

'Está tudo bem, mas eu e Jon seguimos caminhos diferentes', disse em entrevista ao 'Estado'

João Paulo Carvalho, O Estado de S.Paulo

06 Julho 2016 | 05h00

Os riffs ainda são os mesmos. A maneira delicada e técnica de tocar também. Richie Sambora, um dos guitarristas mais virtuosos da história do rock, aprendeu, como poucos, ao longo dos anos, a criar solos que beiram a perfeição. E isso não inclui apenas velocidade, mas instinto e faro de quem entende da coisa. Em meados de 2013, no entanto, supostos abusos com drogas e álcool, além de brigas internas, “obrigaram” Jon Bon Jovi a dar um ultimato a Richie. Resultado: ele foi afastado da banda na metade da turnê Because We Can. Pouco tempo depois, já em 2014, acabou deixando oficialmente o grupo. “Sair do Bon Jovi foi uma decisão pessoal e familiar. Pensei em minha filha, Ava Elizabeth, hoje com 18 anos. Eu não a vi crescer. Passei muito tempo na estrada nas últimas três décadas. Estava exausto. É como um casamento longo que chega ao fim pelo desgaste. Acabou. Está tudo bem, mas eu e Jon seguimos caminhos diferentes. Não há chances de uma volta. Não agora, pelo menos”, diz Richie em entrevista ao Estado por telefone.

Atração do Samsung Best Of Blues Festival, o músico desembarca em São Paulo para duas apresentações nesta semana. A primeira delas na sexta-feira, 8, no Tom Brasil, e a outra, com entrada gratuita, no domingo, 10, na área externa do Auditório do Ibirapuera. Ele vai tocar ao lado da namorada, a também guitarrista Orianthi Panagaris. Richie e a australiana se conheceram no final de 2013, durante uma festa de réveillon. Conectados pela música, combinaram alguns ensaios e a afinidade eminente entre os dois só cresceu. “Orianthi me chamou a atenção desde que a vi pela primeira vez. É uma guitarrista formidável. Além da técnica apurada, ela toca com o coração, algo essencial para um músico. Estar ao seu lado é um aprendizado constante”, afirma Richie.

Orianthi Panagaris, 31, começou a tocar guitarra aos 6 anos. Aos 18 sua vida mudou drasticamente quando se apresentou ao lado de Carlos Santana em um show na Austrália. A instrumentista também tocou com a estrela do pop Carrie Underwood e integrou a banda de Michael Jackson. Em 2011, tornou-se a principal guitarrista do Alice Cooper, participando, inclusive, de duas turnês mundiais. “Tenho uma boa rodagem na música. Fiz muita coisa legal, mas ainda há uma longa jornada. Tocar com o Richie me faz acreditar nisso. Ele é apegado aos detalhes e isso muda tudo. Um guitarrista precisa ser criterioso. Por isso nos identificamos tanto”, revela Orianthi, também por telefone.

A dupla deve lançar até dezembro o primeiro disco. Darryl Jones (baixista dos Rolling Stones) e William Calhoun (baterista do Living Colour) já estão confirmados. Stevie Wonder e Buddy Guy também são cotados para participar do projeto. “Temos gravado com calma e tranquilidade. Não adianta nada acelerar o processo. Vai sair no tempo certo. Sempre foi assim na minha vida”, revela Richie.

Perto de completar 57 anos (o músico faz aniversário no dia 11), Richie Sambora tem uma carreira solo consolidada. Lançou três discos de estúdio: Stranger In This Town (1991), Undiscovered Soul (1998) e Aftermath Of The Lowdown (2012). Em 2013, na última passagem do Bon Jovi pelo Brasil, Richie já estava longe da banda. A apresentação do grupo no Rock in Rio deixou a desejar. Sem o baterista Tico Torres, afastado por uma crise de apendicite naquela ocasião, a performance foi morna. Apesar do público gigantesco, Jon sentiu o baque. Hits como It’s My Life, Always e Livin’ On A Prayer perderam a consistência. “Queria ter estado lá, de verdade. Sei que decepcionei alguns fãs, mas, infelizmente, não deu. Para amenizar, prometo alguns clássicos do Bon Jovi nessas apresentações em São Paulo com toda a certeza do mundo. É a minha história. Não posso ir contra ela, entende? Construímos coisas incríveis das quais me orgulho muito nesses 30 anos de banda”, comenta Richie.

O relacionamento conturbado com Jon sempre vem à tona quando o assunto é Richie Sambora. Simpático, ele prefere não falar muito sobre o “amigo” e as supostas divergências que o levaram a deixar o conjunto. “Eu estava esperando você me perguntar isso, na verdade (gargalhada). Estamos bem, não? Seguimos caminhos distintos. Eu faço as minhas coisas, ele faz as dele e tudo fica numa boa. Não existe isso de voltarmos. Construímos uma história respeitosa durante todos esses anos. Mas chega uma hora que você cansa de estar sempre no mesmo lugar, fazendo as mesmas coisas. O novo e o desconhecido são sempre transformadores para qualquer ser humano”, conclui.

Dobradinha faz grupo ser respeitado por headbangers

Em 2015, o Bon Jovi lançou o primeiro disco da carreira sem Richie Sambora na guitarra. Burning Bridges, o 13º trabalho de estúdio da banda, apresenta algumas músicas razoáveis. A canção mais interessante do trabalho, todavia, é Saturday Night Gave Me Sunday. Para a surpresa geral, a única do álbum em que Richie aparece como coautor. “Você achou isso mesmo? (mais uma gargalhada). Fico feliz por ter colaborado, mas não quero alimentar esperança em ninguém. É só o reconhecimento de um trabalho que deu certo e, de alguma forma, merece ser destacado”, conclui ele.

A parceria com Jon Bon Jovi é uma das mais conhecidas e importantes da história do rock. Juntos, passaram a ser respeitados por muito headbanger casca grossa de plantão. Grande parte deste respeito, inclusive, veio graças à técnica invejável de Richie Sambora. 

Com solos precisos e riffs memoráveis, o guitarrista deu outra sonoridade à banda. O Bon Jovi tinha tudo para ser só mais um grupo mela-cueca, com um vocalista bonitinho e sex symbol. A coisa mudou de status quando Richie passou a dar as cartas do jogo. “Acho que dei minha contribuição. Sai bastante satisfeito”, afirma o “modesto” guitarrista.

Jon Bon Jovi, no entanto, parece não ouvir os apelos dos fãs e não se entusiasma com a volta de Richie. No início deste ano, o conjunto anunciou a preparação de um novo trabalho. This House Is Not For Sale deve chegar às lojas no 2°semestre de 2016. Este será o segundo CD sem o famoso guitarrista. Mais uma prova de fogo para Jon e seus amigos que, a cada trabalho lançado mostra que não consegue virar a página e produzir um som original.

CANÇÕES QUE DEVEM ESTAR NO SHOW

I'll Be There For You

Wanted Dead or Alive

Livin' On a Prayer

It's My Life

Lay Your Hands on Me

Stranger in This Town

Burn the Candle Down

According to You

Every Road Leads Home to You

A Song for You

Nowadays

RICHIE SAMBORA E ORIANTHI

Tom Brasil. R. Bragança Paulista, 1281 - Santo Amaro. Sex (8), às 22h. De R$ 200 a R$ 500 Tel.: 4003-1022.

Auditório Ibirapuera - Oscar Niemeyer. Av. Pedro Alvares Cabral, s/n - Portão 2 do Parque do Ibirapuera. Dom (10), às 17h30. Tel.: 3629-1075. Grátis.

Richie Sambora - I'll Be There For You

Richie Sambora - Wanted Dead Or Alive

Richie Sambora - Stranger In This Town

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.