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Breno Galtier|Divulgação

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"Queremos fazer a nossa parte para que o mercado fique menos medroso", diz vocalista do Scalene

Banda que despontou no programa ‘Superstar’ trabalha para garantir sobrevida após o sucesso do reality show

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Pedro Antunes,
O Estado de S. Paulo

31 Janeiro 2016 | 03h00

É até um alívio. Há tempos ninguém diz por aí que “the rock and roll is dead” ou “rock está morto”, frase icônica e repetida por aí à exaustão por décadas. Se o gênero não está nos melhores estados de saúde, também não deita no leito de morte. O fato, contudo, é que a boa e velha guitarra já há tempos não ocupa mídias populares, como TV e rádio, e sobrevive na cena independente – com sucesso nessa seara. A aprovação do som pesado da brasiliense Scalene durante a passagem deles pela disputa musical da TV Globo Superstar, em 2015, na qual a banda chegou ao segundo lugar em uma competição de voto popular, diz muito. “Mostramos que existe uma demanda para esse tipo de som.” 

O ano de 2016 é fundamental para esse passo do Scalene em direção à esfera popular da indústria fonográfica. São sete anos de carreira, circulando por festivais indies e criando um público. Antes mesmo do reality global, há dois meses da estreia na TV, os rapazes de 23 a 25 anos, amigos de infância, já se apresentaram na versão paulistana do Lollapalooza. O South By Southwest, prestigiado festival que ocupada toca a cidade de Austin, no Texas, também está no currículo. 

O início do plano está marcado para o fim de janeiro. Na sexta, 29, o grupo se apresentou em São Bernardo do Campo. No domingo, 31, volta a SP, se apresentando no Carioca Club, junto com o Fresno. São os primeiros shows de um ano que promete “surpresas”, segundo Gustavo Bertoni, voz e guitarra do grupo. “Teremos novidades, vamos ampliar e expandir aquilo que já foi lançado”, ele explica. Um disco, o terceiro da trupe de brasilienses formada ainda por Tomas Bertoni (guitarra), Lucas Furtado (baixo) e Philipe Makako (bateria e vocal), ficará para 2017. 

O plano deste ano é colocar as 33 músicas presentes nos álbuns Real/Surreal (2013) e Éter (2015, lançado durante a participação no Superstar) para rodar ainda mais o País. “No nosso primeiro disco, experimentamos bastante”, explica. “No segundo, foi o amadurecimento disso tudo.” 

Éter, aliás, conta o jovem, já não encontrou tanto espaço nas rádios quanto o antecessor, cuja balada Amanheceu, entrou em rotação até mesmo em estações sem tantas preferências roqueiras. Um disco que transborda o que há de mais novo no rock mainstream de músculo. Muse e Queens of the Stone Age estão ali na análise de superfície de influências perceptíveis e o vocalista cita, entre as bandas que tem ouvido mais recentemente, O’Brother e Thrice, ambas norte-americanas. 

O Fresno representa o último respiro radiofônico do rock brasileiro, surgido na última década, mas indevidamente rotulado de hardcore melódico. O show de ambos acaba por ser um encontro intergeracional. “Naquela época, para ser algo maior, mais popular, era preciso entrar na máquina da indústria”, diz o vocalista. O Fresno de hoje é infinitamente melhor do que o daquela época. Tem guitarras pesadas. Queremos fazer a nossa parte para que o mercado fique menos medroso.” 

SCALENE E FRESNO EM SÃO PAULO. 

Carioca Club. R. Cardeal Arcoverde, 2899, Pinheiros. Hoje (domoingo), a partir das 16. R$50 a R$ 300. 

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