Queens of the Stone Age repassa a discografia em São Paulo

Tom do show foi de encerramento da turnê de '...Like Clockwork'

Guilherme Sobota, O Estado de S. Paulo

26 Setembro 2014 | 08h40

O pessoal quase perdeu o metrô - mas quem correu um pouquinho ainda chegou a tempo. A culpa foi do Queens of the Stone Age, que lotou o Espaço das Américas, em São Paulo, na noite desta quinta-feira, 25, e tocou por duas horas repassando a própria discografia e já num tom de encerramento para a turnê do aclamado ...Like Clockwork.

Depois de Alain Johannes deixar o palco com seu violão quadrado à la Bo Diddley, fazendo uma homenagem para Natasha Shneider (ex-companheira musical de Johannes e também do Qotsa que morreu em 2008), a banda liderada por Josh Homme levou quase uma hora para subir ao palco - e quando subiu, deve ter gostado do que viu lá de cima.

Com o sucesso de ...Like Clockwork, era de se esperar que as músicas do disco empolgassem mais. Mas o que aconteceu foi que as canções da era em que o deus de Josh estava no rádio (início dos anos 2000, os primeiros cinco discos da banda) foram mais vibrantes do que as músicas da época em que o deus dele é o sol (justamente as de ...Like Clockwork).

Eles tocaram as de sempre: No One Knows, Go With The Flow, Make It Wit Chu, Little Sister. Houve surpresas, como I'm Designer (do Era Vulgaris, 2007) e a potente Mexicola (do primeiro álbum, de 1998). A canção foi tocada pelo grupo depois do coro puxado pela plateia  "Nós vamos tocar o que vocês quiserem", disse Homme, "nós fizemos todo esse caminho para isso".

Do álbum novo, My God Is The Sun (que a banda tocou pela primeira vez ao vivo aqui em São Paulo, no Lollapalooza 2013) e I Sat By The Ocean funcionaram bem com o público, que também parece ter curtido I Appear Missing, Fairweather Friend e especialmente The Vampyre of Time and Memory - três músicas que claramente têm uma pegada diferente, mais introspectiva. A caprichada produção visual do show também é herdeira do disco mais recente.

Os melhores momentos foram dois. O primeiro, na sequência de Feel Good Hit of the Summer (a famosa música cuja letra tem apenas sete substantivos, do álcool à cocaína - e nesta quinta, Homme ainda emendou uns versos do hit Never Let Me Down Again, do Depeche Mode, com direito aos braços batendo como asas em "we're flying high") e The Lost Art of Keeping a Secret.

O outro momento que vai ficar reverberando na memória de quem estava lá foi o encerramento, com A Song for the Dead - que bem poderia ser infinita, não acabar nunca, e foi prova do entrosamento perfeito a que formação atual chegou (com Troy Van Leeuwen, Dean Fertita, Michael Shuman, que tem uma presença de palco bacana, e Jon Theodore).

Mais de uma vez, Josh Homme disse que era um prazer encerrar a turnê no mesmo lugar em que ela começou. E deixou a promessa, com aquele meio sorriso irônico de quem sabe o que está fazendo: "Quando fizermos um próximo álbum, vamos estreá-lo por aqui também".

Turnê. O Qotsa ainda toca em Porto Alegre, no sábado, 27, e passa por quatro cidades da América Latina antes de encerrar a turnê, oficialmente, no dia 31 de outubro em Los Angeles).

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