Axel Schmidt/AFP
Axel Schmidt/AFP

Prêmio a rappers acusados de antissemitismo causa polêmica na Alemanha

Dupla Kollegah e Farid Bang já vendeu mais de 200 mil cópias do disco 'Jovem, Brutal e Belo 3'; na música polêmica, eles cantam que seus corpos estão 'mais definidos que o de um preso de Auschwitz'

AFP

14 Abril 2018 | 21h25

A polêmica crescia neste sábado, 14, na Alemanha depois que uma dupla de rap acusada de antissemitismo por letras nas quais se comparam com presos de Auschwitz recebeu um prêmio no Dia da Lembrança do Holocausto.

Os rappers alemães Kollegah e Farid Bang fazem referência ao campo de extermínio nazista em sua canção 0815, na qual dizem que seus corpos estão "mais definidos que o de um preso de Auschwitz".

Na quinta-feira, 12, venceram o prêmio Echo na categoria Hip-Hop/Urbano, após venderem mais de 200 mil cópias de seu álbum Jovem, Brutal e Belo 3.

Na própria quinta-feira, Israel celebrou o Yom HaShoah, o Dia da Lembrança do Holocausto, em memória dos seis milhões de judeus que morreram nos campos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial.

Os dois rappers disseram que rejeitam qualquer forma de antissemitismo e Kollegah ofereceu ingressos gratuitos "por toda a vida" para os fãs judeus da dupla.

Mas as letras da música geraram um forte debate na Alemanha, onde a memória dos crimes do nazismo ainda está viva.

O ministro alemão de Justiça, Heiko Maas, disse que tais "provocações antissemitas" são "simplesmente repugnantes". "É uma vergonha que este prêmio tenha sido entregue no Dia da Lembrança do Holocausto".

"Agora na Alemanha alguém é recompensado por depreciar as mulheres, por exaltar a violência e por fazer piada das vítimas de Auschwitz", disse ao jornal Bild Ronald Lauder, presidente do Congresso Judeu Mundial.

"O fato de que responsáveis da indústria musical premiem tais comentários com a desculpa da arte e da liberdade de expressão é escandaloso", declarou Josef Schuster, presidente do Conselho Central de Judeus na Alemanha.

Antes de os rappers vencerem o prêmio Echo, o Comitê Internacional de Auschwitz disse que sua presença na cerimônia de premiação era "um tapa na cara dos sobreviventes do Holocausto".

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