Maria Mochnacz
Maria Mochnacz

Popload Festival marca o retorno de Phoenix, PJ Harvey e Daughter a SP

Atrações vão da melancolia contida ao êxtase pop

Pedro Antunes, O Estado de S.Paulo

15 Novembro 2017 | 06h06

“Adoro essas misturas”, anima-se Igor Haefeli, o integrante do trio Daughter, nascido na Suíça, embora o sotaque mostrado do venha do outro lado da linha seja muito similar ao britânico. “Particularmente, eu gosto muito de festivais, dessa energia em torno da música, mesmo que não seja necessariamente a sua banda preferida no palco. Acho que o trabalho de PJ Harvey é lindo e o Phoenix, nossa, eles têm um show incrível.” 

De fato, Haefeli, fez bem a lição de casa sobre o festival que trará o grupo inglês pela primeira vez a São Paulo. Seu Daugher, no qual ele toca guitarra ou baixo, dependendo do instrumento escolhido pela vocalista Elena Tonra, é esteticamente oposto às atrações que virão na sequência do Popload Festival. E celebra essa diferença.

De fato, é a função de um festival apresentar diálogos entre artistas que nem sempre estão na mesma “prateleira”. Tal qual fez no ano passado, quando uniu na mesma noite a serenidade abatida do Wilco e a sujeira efervescente do Libertines, o festival aposta na reinvenção ambulante de Polly Jean Harvey, a incrível PJ Harvey, e na festividade estranho-pop da banda francesa Phoenix. Entre as atrações brasileiras, há o fino do indie nacional, da poesia los hermânica lambuzada de distorção da Ventre e a força inigualável do discurso e canto de Salma Jô e sua banda Carne Doce. 

Realizado pela primeira vez no Memorial da América Latina, o Popload Festival cresce em dimensão - cuja espaço tem capacidade para 10 mil pessoas, dois mil a mais do que o número de público da edição do ano passado, realizada no Urban Stage, na zona norte da cidade. O festival também irá operar em um sistema cashless, ou seja, sem o uso de dinheiro. Em vez de ingressos, os pagantes recebem uma pulseira equipada de um chip que deve ser carregada e usada como um cartão pré-pago dentro da arena. A “escalação” gastronômica conta com A Casa do Porco Bar, Bar da Dona Onça, Casa Manioca, Z-Deli, entre outros. 

Na contramão dessa expansão, o Daughter canta o sentimento enclausurado, guardado lá dentro. Por isso, a sensação de aconchego produzida por Heafeli e o francês Remi Aguilella, responsável pela pouco expressiva bateria. Juntos, eles formam o quarto quentinho, enquanto a voz Elena Tonra, toma a forma da manta felpuda que irá cobrir o ouvinte com carinho. É facilmente confundido com o fofolk (subgênero do folk com excessos de candura), mas o Daughter traz mais elementos, experimentando texturas, frios e calores.

 

Não é acaso que Youth, single do disco de estreia deles, o If You Leave, lançado em 2013, tenha sido escolhido para integrar a trilha sonora da série Grey's Anatomy, a apelação emocional e desesperadora que narra o cotidiano de um hospital e seus médicos. É um canto meio jururu, meio pop, e contagiante para quem gosta de altas doses de melancolia invejadas nas veias. “Para nós, não importa como a ideia para uma canção começa”, diz o músico, “e, sim, o sentimento com o qual ela dialoga. Queremos provocar algo nas pessoas.”

HORÁRIOS

Neon Indian

13h20

Ventre

14h50

Carne Doce

15h50

Daughter

17h

PJ Harvey

18h30

Phoenix

21h

POPLOAD FESTIVAL

Memorial da América Latina. Av. Auro Soares de Moura Andrade, 664, Barra Funda. Hoje, às 12h (abertura dos portões). R$ 160/ R$ 500.

PJ Harvey

 Phoenix

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