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Os Rolling Stones não pensam em parar, diz nova biografia do grupo

Jotabê Medeiros - O Estado de S. Paulo

31 Agosto 2014 | 03h 00

Banda volta ao País em março e é movida por ambição

No dia 15 de março, os Rolling Stones baixam na arena Allianz Parque, em São Paulo, numa turnê que começa no dia 8 em Porto Alegre, no Beira Rio. A turnê 14 On Fire será capitaneada, no Brasil, pela empresa Planmusic, de Luiz Oscar Niemeyer (que já tinha realizado o mitológico show dos Stones na Praia de Copacabana, em 2006, para 2 milhões de pessoas). Suas Satânicas Majestades vão varrer de novo o País, 52 anos após o início do grupo. Simultaneamente, a editora Record está lançando um dos últimos livros sobre o grupo, The Rolling Stones - A Biografia Definitiva. O autor, Christopher Sandford, já tinha escrito biografias de Jagger, Richards e Roman Polanski, e é um expert no grupo britânico. Sandford falou ao Estado por e-mail.

Divulgação
Stones chegam em março com nova turnê

Estão dizendo que esta pode ser a última turnê dos Stones. O que você acha?

Tudo que posso dizer é que conheci o pai de Mick Jagger, Joe, perto do fim da vida (morreu aos 93 anos), e ali pelos 80 anos ele ainda era forte, cheio de energia, um homem ambicioso, ex-treinador de educação física. A mãe de Jagger, Eva, que também conheci quando já estava perto dos 90 anos, era vivaz, falante, o tipo de pessoa que amava tanto dar quanto ir a uma festa. Isso pode dar a você uma ideia do tipo de gene envolvido. Pessoalmente, acho que vamos continuar a ver shows esporádicos dos Stones nos próximos anos, porque já houve tantas previsões de que eles estariam largando os palcos que podem finalmente realizá-las. Mas, nesse ponto da vida deles, é possível ainda que nem eles mesmos saibam disso.

Seu livro não chegou até o suicídio da mulher de Jagger, L’Wren Scott, este ano. Como acha que aquele fato afetou o grupo?

Nunca encontrei L’Wren Scott, e temo não poder trazer nenhuma luz sobre a morte dela, em março. Mas, numa análise superficial, poderia atribuir aquilo ao universo da indústria da moda em si mesmo, que é, por definição, um meio não especialmente estável ou consistente para se trabalhar. 

Jagger emitiu uma nota quando ela morreu, dizendo que ainda estava tentando entender o que a tinha levado ao suicídio.

Jagger estava de volta aos palcos na Europa exatas 9 semanas após a morte de L’Wren. E deu a sua costumeira e completa performance. Você pode julgar isso como frieza, ou que é o jeito dele de encarar o fato, uma alternativa melhor do que ficar sentado sofrendo dia após dia, ou que isso comprova aquela tradição britânica de “o show tem que continuar” quaisquer que sejam as circunstâncias. Eu posso acrescentar que ele fez exatamente a mesma coisa quando o seu pai, Joe, morreu, em 2006. Mick voltou ao palco em Las Vegas 24 horas após a perda, uivando hits como Jumpin’ Jack Flash.

Você calculou a fortuna de Jagger em £ 240 milhões. Em sua opinião, o que o motiva a continuar no palco? Só dinheiro?

Eu costumo dizer que Jagger é provavelmente motivado por uma combinação de energia natural, ambição e necessidade financeira. É verdade que ele tem muito dinheiro, mas também tem muito mais despesas que eu ou você. Algo como seis grandes mansões, sem mencionar as diversas mulheres e filhos. Não estou dizendo que ele “precise do dinheiro”, porque também sei que ele fica feliz em tê-lo. Você vai observar que, após uma carreira de 52 anos, eles muito raramente colaboraram com caridade.

Você cita um crítico que descreve as pinturas de Ron Wood como “constrangedoras”. Mas parece que você mesmo evita dar sua opinião sobre certos aspectos da produção dos Stones.

Creio que também escrevi no livro que Wood acabou dando a última risada em cima dos seus críticos, porque alguns dos seus retratos de celebridades foram vendidos por US$ 1 milhão cada, mais do que Van Gogh, Gauguin e Cézanne juntos conseguiram em suas vidas. Como regra, nunca cito um crítico sem assinalar o contexto da crítica, e sempre pondo uma opinião alternativa.

Você levantou a ficha dos Stones no FBI americano. Mas, ao contrário de Lennon, eles nunca encararam o establishment de verdade. Estou errado?

Os Stones têm um recorde perfeito de 52 anos de apatia política. É verdade que Jagger flertou brevemente com os Panteras Negras e um ou outro grupo radical entre 1968 e 1969, mas eles nunca saíram verdadeiramente dos guard rails da normalidade social e do comportamento político de cada época. Só um exemplo: após Jagger casar com Bianca, em 1971, ela imediatamente passou a intimá-lo para tentar engajar Mick nos seus compromissos políticos. A resposta dele veio em forma de música, em 1974: It’s Only Rock n’ Roll (But i Like it). Isso diz tudo.

Já vi os Stones com Bob Dylan e uma dezena de convidados. O que significam esses encontros?

Creio que esse tipo de colaboração VIP é simplesmente um jeito bom e inócuo de adicionar valor ao preço dos tickets pagos pelos fãs de hoje em dia. Vi um show deles com Bruce Springsteen e até gostei, embora as harmonias entre ele e Jagger, naquela época, soassem como as de dois furões brigando dentro de um saco. Tem uma história antiga, um desagradável incidente em Denver, em 1975, quando Elton John se juntou aos Stones para cantar Honky Tonk Women. Ele tinha sido convidado para apenas uma canção, mas, quando terminou, ele não conseguiu sair do palco porque começou uma briga entre um de seus guarda-costas e o pianista dos Stones, Billy Preston. Billy reclamava que o sujeito tinha se apoderado do seu banquinho. Um certo gelo se criou entre Elton John e Keith Richards, mas acho que já foi superado.

Você acha que a arte ainda está entre as preocupações deles hoje?

Acho que o que os move é uma instigante combinação de arte, dinheiro e uma reserva de sua energia de juventude. Não esqueça também que eles têm o mais refinado suporte: jatos privados, limusines, guarda-costas, advogados, os melhores médicos que o dinheiro pode comprar. Isso explica em parte o fato de estarem ainda na estrada.

THE ROLLING STONES - A BIOGRAFIA DEFINITIVA

Autor: Christopher Sandford.

Tradução: Catharina Pinheiro

Editora: Record (532 págs., R$ 50).

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