TIAGO QUEIROZ / ESTADÃO
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Oito anos depois, Lucina volta com o belo 'Canto de Árvore'

Disco da ex-parceira de Luhli, nos anos 70, terá lançamento em show único, hoje, às 21h, no Auditório Ibirapuera

Julio Maria, O Estado de S.Paulo

04 Agosto 2017 | 06h02

A cantora Lucina tem nas costas uma história de libertações precoces. Fez, muitas vezes ao lado da parceira Luhli, discos independentes quando essa nomenclatura nem existia, no final dos anos 60. Assume comportamentos desde quando as bandeiras de gênero nem estavam hasteadas e cria uma música de originalidade sem referenciais que parece soar sempre nova. Seu disco mais recente, Canto de Árvore, oito anos depois do anterior, + do que Parece, com material feito com Zélia Duncan, é lançado com uma apresentação hoje (4), no Auditório Ibirapuera.

Canto de Árvore mostra uma criadora em forma, afiada na escolha de parceiros. Com Zé Renato Fressato, que conheceu em um café da manhã em Ponta Grossa, no Paraná, ela abre com Vice-Versa. Com a mão direita cheia de atitude ao violão, acompanhada pelo cavaquinho de Marcelo Dworecki, ela canta: “De olhos fechados, desperto / Deitado em meu leito, caminho / De língua travada, eu grito / Estando errado, estou certo”. 

Segue então por encontros com o poeta arrudA na bela Canto de Árvore; com Inês Blanchart, autora também do projeto gráfico do disco, em Rio de Chão; com Luhli, de quem ganhou O Que Ficou; e com o paraense Joãozinho Gomes, um dos maiores poetas e letristas contemporâneos, com A Dádiva Divida e O Espectador. Alzira E, parceira de longa estrada, está em Guerra dos Egos; Paulinho Mendonça em Amantes de Um Novo Mundo e Paulo Bastos, compositor e percussionista macapaense, em Alma de Cantadeira. De Luhli, talvez venham linhas mais biográficas: “Foi muita droga, muita yoga, muita vertigem / Foi muito verde, muito mar, muito banho de chuva / Foi muito sonho e som, doía de tão bom...”

A personalidade da composição de Lucina, e a forma como coloca a voz no que faz, é algo fora dos padrões. Quando perguntada sobre como percebe seu próprio meio, ela desenha uma linha interessante. “Depois da fase das contraltos, como Zélia Duncan e Cássia Eller, vieram as sopranos. Maria Rita canta como a mãe, não tem jeito, e Céu, mais etérea, canta como se estivesse em uma nuvem, interpretando uma ideia, e então vieram outras assim. Acho que cada um deveria ter sua própria história, sinto que falta uma maior impressão digital.”

Lucina leva para o palco os músicos Peri Pane (cello), Marcelo Dworecki (baixo), Otávio Ortega (acordeon), Décio Gioelli (stell drums) e Ney Marques (bandolim).

LUCINA

Auditório Ibirapuera. Hoje, às 21h. Avenida Pedro Álvares Cabral, s/nº - Parque do Ibirapuera. 

Ingressos: R$ 20. Tel.: 3629-1075

 

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