Marcos Arcoverde/ Estadão
Marcos Arcoverde/ Estadão

O grande reencontro de Alceu Valença, Elba Ramalho e Geraldo Azevedo

Sem Zé Ramalho, artistas voltam a se reunir e iniciam turnê com sucessos de 40 anos de carreira e inéditas

Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

02 Setembro 2016 | 11h35

RIO - Vinte anos depois, o grande reencontro nordestino: Alceu Valença, Elba Ramalho e Geraldo Azevedo, sem Zé Ramalho, voltam a fazer shows juntos. Na turnê pelo País que começa nos dias 17 e 18, no Metropolitan, no Rio, eles apresentam novidades: as inéditas O Melhor Presente, parceria de Geraldo, Toni Garrido e Elba, compositora bissexta, Só Depois de Muitos Anos, de Geraldo e Abel Silva, Ciranda da Traição, só de Alceu. Me Dá Um Beijo, de Geraldo e Alceu, lançada há 44 anos, se soma ao repertório, baseado em sucessos das últimas quatro décadas.

Esta é a terceira configuração do encontro. Com as carreiras entrelaçadas desde os primeiros palcos, nos anos 1970, quando se fixaram no Rio, os artistas se reuniram em quarteto em 1996. Gravaram um CD ao vivo. Viraram um trio, com a saída de Alceu, no ano seguinte, e lançaram um CD de estúdio. Em 2000, ainda com os mesmos integrantes, veio O Grande Encontro 3. A trilogia superou um milhão de cópias vendidas.

Ao longo dos anos, a sonoridade foi transformada. Em 1996, eram vozes e violões. Agora, eles têm no palco uma banda formada por Paulo Rafael (guitarra), Cássio Cunha (bateria), que tocam com Alceu, Marcos Arcanjo (guitarra), Anjo Caldas (percussão), Meninão (sanfona), de Elba, Ney Conceição (baixo) e Cesar Michiles (flauta), de Geraldo. O espetáculo passará por São Paulo, Brasília, Vila Velha, Recife e Fortaleza, entre outras cidades. 

Além da composição nova, Sangrando (Gonzaguinha), Abri a Porta (Dominguinhos/Gilberto Gil) e Eu Só Quero Um Xodó (Dominguinhos/Anastácia) e Feira de Mangaio (Sivuca/Glória Gadelha) são novidades na apresentação solo de Elba, que canta ainda Anunciação (Alceu) e a carnavalesca Banho de Cheiro (Carlos Fernando). 

“Sou preguiçosa para compor, mas as melodias vivem em mim”, contou a cantora, num intervalo dos ensaios, na quarta-feira, ao falar de O Melhor Presente, criada com os amigos em sua casa de Trancoso (BA). Ainda fazendo o espetáculo O Encontro Inesquecível, só com Geraldo, ela espera encontrar um público saudoso d’O Grande Encontro. “Estamos nessa para nos divertir, é uma celebração da nossa história. São CDs maravilhosos. Onde o show vai, arrasta multidão”, acredita.

“É um espetáculo atual. O público quer ouvir essas músicas, e tem as novas gerações também”, disse Geraldo. Ele cantará, entre outras, Táxi Lunar, Dia Branco, Moça Bonita e Bicho de Sete Cabeças. Paula e Bebeto (Caetano Veloso/ Milton Nascimento) é nova em sua apresentação individual. “Bituca ouviu e ficou emocionado, queria que eu gravasse e disse que eu nem precisava dizer que a música era dele.” O show tem também Tropicana, Coração Bobo, e Belle de Jour, de Alceu, e mais números de outros encontros, como Caravana (Alceu/Geraldo) e Sabiá (Luiz Gonzaga/Zé Dantas). 

O novo encontro termina com uma ode a Zé Ramalho, presente na apresentação solo de Elba em Chão de Giz: o trio cantando Frevo Mulher. “Não teve briga. Pode ter alguma mágoa, mas eu não sei qual. Acredito que a gente vá se juntar de novo um dia, porque nosso elo é infinito”, aposta Geraldo. 

“Fomos procurados por uma empresa que queria fazer O Grande Encontro com muitos shows, DVD, muito dinheiro envolvido, mas só queriam se fôssemos os quatro. O Zé não quis. Ele não é de fácil acesso. Eu queria que ele estivesse. Sou a cantora que mais o gravou, ele está na nossa obra e no nosso coração”, lamentou Elba. 

Zé, que está festejando 40 anos de carreira com um box de CDs lançado pelo selo Discobertas, já declarou que seria repetitivo retornar ao Grande Encontro. Foi cogitada a entrada de Fagner - como acontecera com a saída de Alceu, em 1997 -, mas a ideia não progrediu. 

“Não liguei nem encontrei o Zé para falar disso. Ele não tem obrigação de participar. Eu mesmo não fiz o segundo, porque troquei de gravadora (BMG pela Som Livre) e eles não autorizaram. No terceiro, eu estava com outros trabalhos...”, lembrou Alceu. “Tenho memórias afetivas e efetivas do primeiro encontro.” Desentendimentos existem, os três admitem, mas o tom se mantém harmonioso no fim. “Na música não pode existir subtração, só soma”, disse Elba.

 

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