Globo/Raquel Cunha
Globo/Raquel Cunha

Novela das 6 ‘Novo Mundo’ traz peça inédita do compositor Joseph Wilde

Obra escrita para baile em homenagem a Leopoldina, personagem no folhetim, ganha primeira gravação

João Luiz Sampaio, Especial para O Estado de S. Paulo

16 Abril 2017 | 03h00

Na véspera da partida para o Brasil, onde irá se casar com D. Pedro, a Imperatriz Leopoldina é homenageada com uma grande festa. A cena abriu o primeiro capítulo de Novo Mundo, nova novela das seis da Globo. O que acontece em seguida deve tanto à história real como à reinvenção por meio da ficção. Mas, enquanto Leopoldina dança no grande salão em Viena, deu-se ao menos um momento de resgate histórico fiel: a execução de uma peça escrita especialmente para a ocasião pelo compositor Joseph Wilde, que recebeu, por conta do folhetim, sua primeira gravação mundial.

Leopoldina tinha interesse especial pela música, que estudou durante anos na Europa. Na comitiva que a trouxe ao Brasil, esteve presente o compositor Sigismund Neukomm, que tanto faria pela criação de uma vida musical no País. Uma vez aqui, registros indicam não apenas interesse por aquilo que era possível ouvir no Rio de Janeiro do início do século 19 como também pelos novos autores e obras que movimentavam o cenário europeu.

“Quando comecei a pesquisa para a trilha da novela, me deparei com a existência dessa valsa. Soube que havia uma cópia na Biblioteca Nacional, mas que ela não estava disponível para pesquisadores”, conta o produtor musical Sacha Amback, responsável pela trilha da novela. A solução veio da Bahia. “Fiquei sabendo que o musicólogo uruguaio Pablo Sotuyo Blanco tinha uma cópia no acervo da Universidade Federal da Bahia. Nós conversamos e ele acabou nos cedendo o material. A versão original é para piano, mas fizemos um arranjo para cordas e gravamos a peça em estúdio em Praga. E descobrimos que o nosso foi o primeiro registro feito.”

Fidelidade. A descoberta e o registro da Tänze des Brasilianischen Ballfestes, de Wilde, são um ponto importante na construção musical para a novela e poderia sugerir, de alguma forma, uma tentativa de recriar o ambiente sonoro da época. “Não necessariamente”, explica Amback. “Nem sempre o espírito do documentário ajuda na hora de escrever uma trilha. Por exemplo, poderíamos usar as músicas que, de fato, foram tocadas no casamento de D. Pedro e Leopoldina, mas isso não funcionaria do ponto de vista dramático. Então, procuramos usar outros critérios.”

Amback lembra que, na época em que se passa a história, Viena já havia ouvido a Sinfonia n.º 7 de Beethoven, compositor por quem Leopoldina tinha admiração. “Em Portugal e na Espanha, no entanto, existia ainda outra onda, muito influenciada pela ópera do bel canto, que às vezes trazia melodias superficiais, que, aliás, eram criticadas na literatura alemã da época como música de pouco conteúdo, caricaturas de uma época já ultrapassada”, explica Amback. “Essa dualidade acabou nos servindo como inspiração. Além disso, nossa sensação era de que o barroco funcionaria melhor, traria um elemento de bom humor, de contrastes, em oposição ao cartesianismo do classicismo.” É por isso que, ao longo da trilha, serão ouvidas obras de Bach ou de Purcell. “Mas esse é apenas um aspecto. A maior parte da trilha é original, nasce dessa influência, mas também de outras, como a música de cinema, de ação.”

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