1. Usuário
Assine o Estadão
assine


Nando Reis leva para novo álbum os três amores de sua vida

Felipe Branco Cruz, do Jornal da Tarde

28 Maio 2009 | 10h 34

'Drês' tem como inspiração a mãe, filha e ex-namorada do cantor; por incrível que pareça, é mais rock and roll

Seus relacionamentos não cabem em uma só música. Nando Reis precisou de um álbum inteiro para transpor para versos e acordes os mais recentes sentimentos que nutriu pela filha, a ex-namorada, a mãe. Não à toa o oitavo álbum do ex-Titã foi batizado de Drês: uma mistura de Dri, apelido da ex-namorada Adriana Lotaif, e Três, número de composições que Nando dedicou a ela no disco.

“Disseram que deixei meus sentimentos mais explícitos neste trabalho”, diz Nando. “A natureza das músicas que faço sempre focou as relações pessoais. Sempre fui muito emotivo.” Esse lado sentimental do cantor ainda está na canção Conta, feita para homenagear sua mãe, e Só pra So, composta para a filha Sophia, de 20 anos.

Até a capa do CD, assinada pelo artista Sesper, tem um lado emotivo explícito: traz um coração perfurado por agulhas, que representa o conteúdo do trabalho, de acordo com Nando.

Drês traz o que há de mais rock and roll na produção do músico. E, apesar de não acreditar que músicas precisem de explicações, Nando Reis justifica o som mais ‘pesado’. “Acho espantoso isso, pois sempre fiz rock a minha vida inteira”, diz ele. “O pessoal se acostumou comigo, com as canções mais acústicas. Mas que bom que continuo surpreendendo mesmo fazendo o que já fazia.”

Dri é citada nominalmente em três músicas: Hi, Dri!, Drês e Driamante (trocadilho que Nando faz com diamante), mas o cantor revela que a ex foi inspiração para “quase todas as músicas do álbum”. Para ele, não há problemas em trazer um namoro que acabou à tona no novo disco. “Quando fiz (as canções), ela ainda era minha namorada. É estranho, porque boa parte do que eu canto é uma ideia de vida ao lado dela, que agora não vai mais acontecer. Mas músicas não precisam de bulas nem de vínculos. Elas ganham vida própria.”

A canção para a filha é uma das mais reveladoras do álbum. Antes, Nando já havia composto para os filhos Sebastião, em O Mundo é bão, Sebastião, e para Zoe, em Espatódea. “Não tenho como meta fazer uma música para cada filho”, brinca Nando, pai de 5 filhos. “Escrevi para Sophia mais por uma necessidade minha.” Em uma espécie de pedido de desculpas, a letra cita momentos em que ele fez a filha chorar. “Não acho que adianta pedir desculpas. Queria mostrar para ela o quanto ela me toca, me transforma. É uma história de amor.”

Já a mãe, Dona Cecília, é homenageada pela segunda vez. Em seu primeiro disco, ele cantou: “Mãe, o amor que eu tenho por você é seu”, na música Meu Aniversário. Agora, 20 anos após a morte da mãe, compôs Conta. “Existem certas contas que precisam de muitas parcelas para serem pagas. Minha mãe era minha fã e muitas imagens do Titãs em programas de auditório foi ela que gravou.” Nando, 46 anos, tinha só 26 com Dona Cecília morreu.

A falta que a mãe faz para ele está evidente em cada verso: “Nesse dia, o dia em que perdi a minha mãe, eu me dei conta que estava só e por minha conta. / Mesmo tendo o meu pai, que eu amo / A minha conta não se fecha / Nunca mais se fechou”, e no refrão continua: “Eu quero te ver e para te ver é preciso sonhar.”