João Luiz Sampaio/ Estadão
João Luiz Sampaio/ Estadão

Músicos protestam contra cortes em orquestras do governo do Estado

Artistas fizeram concerto em frente à Sala São Paulo e questionaram necessidade da diminuição nos repasses de verbas 

João Luiz Sampaio, ESPECIAL PARA O ESTADO

05 Dezembro 2016 | 15h07

Músicos de orquestras do governo do estado de São Paulo fizeram no final da manhã de ontem apresentação em frente à Sala São Paulo para protestar contra novas ameaças de corte no orçamento e a possibilidade de demissões ainda este ano. Desde 2014, os repasses governamentais foram reduzidos, em alguns casos, em mais de 30%.

Estiveram presentes membros da Orquestra Jazz Sinfônica, da Banda Sinfônica do Estado de São Paulo, da Orquestra do Teatro São Pedro e da Osesp, além de alunos e professores da Escola de Música do Estado de São Paulo. Em discursos, eles pediram pelo fim dos cortes, afirmando que o trabalho das orquestras é o ponto de chegada de um investimento em educação, com a arte como ferramenta de inclusão social. "Acreditar que cortar a cultura, cujo orçamento é de apenas 0,40% do total, vai resolver os problemas financeiros do estado não nos convence. Seria uma economia ínfima, mas com um impacto gigantesco na cultura e na educação", afirmou uma musicista da Jazz Sinfônica.

Desde 2014, a Osesp já perdeu cerca de R$ 20 milhões; o Projeto Guri teve redução de 37% nos repasses; a Escola de Música do Estado de São Paulo, 15%. O Instituto Pensarte (que gera o São Pedro, a Banda e a Jazz), se forem mantidas as previsões de novos cortes, terá perdido algo em torno de 35% de seu orcamento. A Osesp, por sua vez, anunciou sua temporada 2017 sem ter certeza a respeito de onde virão os recursos para pagá-la.

 

Em entrevista ao Estado, o secretário de Cultura José Roberto Sadek afirmou que é cedo para discutir cortes, uma vez que o orçamento 2017 ainda não foi fechado. "Só vamos saber a realidade exata quando isso acontecer. Há estudos dos mais variados a respeito do que pode acontecer em 2017, mas a realidade muda a cada dia, então é preciso esperar. Por enquanto, o que existe é apenas um nervosismo das pessoas", disse. "Tenho falado com deputados, pedindo emendas para o novo orçamento, que nos deem um fôlego maior."

 

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