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Morre o maestro e violinista Neville Marriner

Fundador da Academy of St Martin tinha 92 anos e participou da trilha do filme 'Amadeus', de Milos Forman

AP

02 Outubro 2016 | 20h44

LONDRES - O maestro Neville Marriner, que levou a Academy of St Martin in the Fields a se tornar um dos grupos de música clássica com mais gravações no mundo, faleceu, disse a academia no domingo. Ele tinha 92 anos.

Marriner, violinista na Orquestra Sinfônica de Londres, se juntou a vários outros músicos em 1959 para formar uma orquestra de câmara que pretendia se apresentar sem um líder. O nome comprido do grupo, Academy of St Martin in the Fields, foi inspirado na igreja do centro de Londres em que eles se apresentavam.

A academia construiu sua reputação com apresentações baseadas em repertórios do barroco e do clássico: Bach, Handel, Mozart e Haydn. Com 18 integrantes no início, tornou-se uma orquestra completa com coro associado e fez mais de 500 gravações. A trilha sonora do grupo para o filme Amadeus, dirigido por Milos Forman e ganhador do Oscar em 1984, vendeu milhões, tornando-se uma das gravações clássicas mais vendidas de todos os tempos.

"Estamos muito tristes com a notícia de hoje. O legado artístico e recordista de Sir Neville, não só na academia mas em orquestras e com públicos ao redor do mundo, é imenso," disse Paul Aylieff, diretor da academia. "Todos que conheceram e trabalharam com ele sentirão sua falta, e a academia fará questão de continuar sendo uma excelente herança ao Sir Neville."

Nascido em Lincoln, na Inglaterra, numa família de músicos, Marriner começou a tocar violino ainda pequeno e conquistou uma vaga no Royal College of Music. Uma das principais influências em sua carreira foi sua ligação com o musicologista Thurston Dart. Dart e Marriner, que se conheceram quando serviam o país na guerra, se uniram para tocar em dupla e trabalharam num grupo chamado Jacobean Ensemble. "Quando você tocava com ele, o que quer que você fizesse parecia certo, autêntico," disse Marriner. "Não havia nada estranho no modo em que tocava e isso me marcou."

Marriner era o segundo violino na Orquestra Sinfônica de Londres quando se tornou um dos fundadores da academia. "Não acho que eu estava infeliz, mas uma das piores coisas é um músico se sentir subempregado, como se tivesse perdido sua identidade e sua contribuição fosse negligenciada," disse Marriner em entrevista a The Associated Press em 1979. "Certamente, um dos motivos pelo qual a academia foi formada é que nós sentíamos que não tínhamos influência o suficiente," disse.

"Quando começamos, o ideal era que a opinião de todos fosse igualmente válida," afirmou Marriner. "Na prática, o que aconteceu é que passamos tanto tempo falando disso que às vezes acabávamos não fazendo nada." Assim, Marriner foi se atraindo a conduzir e este virou o trabalho de sua vida. Ele virou diretor musical da Orquestra de Câmara de Los Angeles entre 1968 e 1977. Depois, virou diretor musical na Orquestra de Minnesota entre 1979 e 1986 e dirigiu a Rádio da Orquestra Sinfônica de Stuttgart, na Alemanha, de 1984 a 1989. Marriner casou-se com Mary Elizabeth Sims em 1955. Ele tinha um filho e uma filha de seu primeiro casamento.

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