Martinho da Vila faz panorama da carreira no teatro Fecap

Para o show, cantor faz um apanhado em seu acervo musical e se divide entre autorias únicas e parcerias

Pedro Henrique França, da Agência Estado,

25 Outubro 2007 | 13h18

Um espetáculo feito para o teatro, com direção de Elifas Andreato e Homero Ferreira. Uma oportunidade ainda para integrá-lo a um documentário, em parceria com a MVA e o Canal Brasil. Mas não se trata especificamente de uma nova peça ou um novo longa em cartaz na Cidade. Pode-se dizer, na verdade, que é um misto dos dois. É, na essência, o sambista Martinho da Vila, que chega a São Paulo para contar sua história no Teatro Fecap, em temporada por duas semanas, a partir desta quinta. E olha que lá se vão 40 anos de muito samba por este País. O carioca faz isso, agora, com o recurso da arte cênica para, futuramente, também estar nas telonas.   "O espetáculo foi elaborado para o teatro e coincidiu com um documentário que está sendo produzido sobre a minha história", conta o bem-humorado Martinho. O documentário já vem tomando corpo há "alguns meses", mas a proposta do show surgiu "não tem muito tempo não", como diz o carioca. Daí surgiu a idéia de aliar os dois projetos."O show agrega o documentário. Então vamos fazer e filmar também".   Intitulado Minha História - Uma conversa musical com Martinho da Vila, a apresentação tem a intenção de ser intimista, mas despojada. Nele, o compositor e cantor carioca fará um panorama de seus 40 anos de carreira - desde a infância no interior do Estado do Rio, passando por suas criações nos morros, como a Boca do Mato, até chegar aos dias de hoje.   "Para contar minha história é complicado, porque ela é grande. Então pensei em falar das minhas fontes, de onde nasci e cresci, depois de São Paulo, quando comecei na música, nos festivais, e falo das minhas andanças por aí. Tudo ponteado com músicas alusivas. É história contada, e permeada com música", observa o sambista.   "Filho dos antigos festivais da Record", como ele define, Martinho se lembra daquela época com carinho. "Foi um período muito bom e que teve conseqüências para a história do samba, com diversos nomes que surgiram". Ao avaliar o cenário atual, em que jovens cantoras e compositores redescobriram o samba, Martinho pondera que é um "movimento bom". "Tem uma frase do Nelson Sargento que dizia que o samba agoniza mas não morre. E eu digo: Nelson, ele nem agoniza", comenta, aos risos. E emenda: "O samba se perpetua, as estrelas que surgem cantam samba. Maria Rita, Marisa Monte, Mart'nália (esta, sua filha)...".   Para o show, Martinho fez um apanhado de seu acervo musical, que se divide entre autorias únicas e parcerias. Traz ao repertório canções clássicas como O Pequeno Burguês, Menina Moça, Disritmia, Canta, canta minha gente, além de Vou Viajar (com Arlindo Cruz) e Meu País, com Rildo Hora. Esta última, ele compôs dois anos antes das Diretas Já, que ocorreu em 1984 e que lutava por eleições presidenciais com participação popular.   Segundo ele, o samba é um ritmo onde se conta histórias de diversas naturezas. "Dá para contar a história do Brasil através do samba", exalta. Mesmo sendo reconhecido pelas temáticas mais amenas, de amores e cotidiano, Martinho analisa que o samba, ao menos do seu repertório, também abre espaço para as problemáticas da política. "Embora o samba nunca quisesse ter engajamento político intencional, no fundo os problemas sempre estavam embutido nas entrelinhas", considera.   Questionado sobre o cenário político atual, Martinho, que afirma ter votado no presidente Lula, "com certeza", destaca os feitos do governo petista, mas sem discorrer sobre os escândalos. "Todo mundo pensava que o governo dele ia ser um desastre. Mas fazendo uma comparação com governos anteriores, o Lula é o que tem conseguido os melhores resultados, até internacionalmente. O que precisamos mesmo é diminuir a pobreza, se preocupar com social, e isso ele tem feito", destaca.   Política de lado, a pauta do momento é contar sua história ao público de São Paulo. O segredo para manter o sucesso, diz ele, é nunca ter tido pressa, nem muita pretensão. "Sempre fui fazendo as coisas sem me preocupar muito com a história, simplesmente vou e faço. Procuro não me auto-analisar, isso eu deixo para os historiadores. Me perguntam como é que eu consigo fazer tanta coisa, e eu digo: porque vou devagar, devagarinho mesmo".   Martinho da Vila. Teatro Fecap, Av. Liberdade, 532, tel (11) 3272-2277. Temporada: de 25 a 28/10 (sem show no dia 26) e do dia 1º a 4/11. Quinta a sábado, às 21h, e domingo, às 19h. R$ 80.

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