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Maria Callas tem discos remasterizados no estúdio Abbey Road

EFE - O Estado de S. Paulo

01 Setembro 2014 | 16h 05

Gravações da soprano estarão à venda partir de setembro

LONDRES -  Ícone da ópera do século XX, a soprano Maria Callas poderá ser ouvida com qualidade jamais registrada graças à remasterização de sua obra, realizada pelos técnicos de som do emblemático estúdio Abbey Road, em Londres.

A caixa com 69 discos das gravações originais de estúdio de Calas será colocada à venda em 23 de setembro, após um minucioso trabalho de remasterização com tecnologia de ponta que levou mais de um ano.

"A intenção era deixar tudo como estava, pois são peças históricas. O trabalho foi como restaurar uma pintura antiga, revelar as cores originais, sem alterar nada", disse o especialista em remasterização Andy Walter no estúdio Abbey Road, o mesmo onde os Beatles gravaram nos anos 60.

De um pequeno estúdio, equipado com grandes computadores onde a música pode literalmente ser vista, além de ouvida, os engenheiros tiveram a árdua tarefa de polir a obra de Callas.

Divulgação
Coleção que será lançada contêm toda a produção gravada pela soprano entre 1949 e 1969.

Segundo Walter, em algumas gravações era possível escutar o barulho das "vespas" italianas que passavam pelo Scala de Milão enquanto a soprano cantava, mas esse som não podia ser ouvido nas gravações da época por falta de tecnologia.

A coleção que será lançada contêm toda a produção gravada pela soprano entre 1949 e 1969, e um livro com sua biografia, algumas fotografias inéditas e cartas.

Walter admitiu que o começo do trabalho foi "detetivesco", já que foram aos arquivos para ver as notas porque queriam ser "fiéis ao trabalho original".

O objetivo, segundo os técnicos, era obter uma obra de "alta definição e clareza", após limpar o som e retirar muitos erros técnicos.

"Com a nova tecnologia, podemos escutar coisas que os técnicos da época não notavam", explicou Walter.

A música remasterizada contém gravações feitas em estúdio por Callas para a EMI/Columbia e para a italiana Cetra entre 1949 e 1969, seu auge artístico.

Apesar de ter morrido em setembro de 1977, Callas, cujas gravações pertencem atualmente à Warner Classics, é uma figura adorada pelos amantes da ópera, devido à potência e a versatilidade de sua voz e seu carisma no palco.

Nascida em Nova York em uma família de origem grega em 1923, sua paixão pela música a levou a Atenas, onde estudou com Elvira de Hidalgo, que tinha cantado com Enrico Caruso. Mas seu salto em nível internacional foi em 1947, quando cantou La Gioconda na Arena de Verona, na Itália.

Apesar de ter dado seus primeiros passos com personagens como Gioconda, Turandot e Isolda, as interpretações mais famosas foram de Amina na Sonâmbula, de Vicenzo Bellini; Violeta em La Traviata, de Giuseppe Verdi, e Floria na Tosca de Giacomo Puccini.

Seu apogeu foi no início da década de 50, quando cantou nos teatros de ópera italianos mais prestigiados, como no La Scala, e também na Royal Opera House de Londres e na Metropolitan Opera de Nova York. Ela também foi aclamada pela Opera de Paris, pela State Opera de Viena e pelos teatros de Chicago e Dallas (EUA).

A carreira de Callas começou a ruir quando conheceu o magnata grego Aristoteles Onassis, com quem teve um longo e tumultuado relacionamento. Também por causa da idade e da menor disciplina, ela começou a perder potência vocal, apesar de ter mantido intacta sua densidade interpretativa.

Sua última apresentação aconteceu em 1965 e teve um triste desfecho: ela não conseguiu terminá-la e chegou a desmaiar no fim do terceiro ato.

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