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Marcelo Yuka do Rappa fala do 6.º VMB

Agencia Estado

11 Agosto 2000 | 15h 28

Para Marcelo Yuka, baterista de O Rappa, o grande vencedor da 6.ª edição do prêmio Video Music Brasil (VMB), promovido pela MTV, que teve a festa de entrega transmitida pela emissora jovem, ontem, ao vivo, do Credicard Hall, o grupo mereceu receber seis prêmios porque investiu em uma idéia. "Foram três meses de discussão para fazer esse videoclipe e chegar à conclusão de que era preciso fazer um trabalho com caráter documental", diz. "A gente optou em mostrar a comunidade, por meio da arte visual e da música, que a televisão escamoteia." Com a música Minha Alma (A Paz Que Eu Não Quero) o Rappa ganhou nas categorias de melhor videoclipe para o público e para a crítica, rock, direção (para Kátia Lund, Breno Silveira e Paulo Lins), edição e fotografia. "Acho que estamos criandos braços artísticos entre o cinema, a música e a comunidade, pois só culturalmente faz-se algo no Brasil", defende ele, referindo-se ao apoio que o grupo dá à ONG Fase - instituição que reúne vários projetos sócio-culturais e fez a ponte para a participação decisiva da comunidade do Morro do Vidigal no videoclipe da música. Para Yuka, a elite continua desatenta à proposta de "investir em idéias". "É a comunidade mais pobre mesmo que presta atenção", acredita. "Ganhamos porque estamos expostos e também porque fazemos música brasileira", afirma. "Somos do Rio e mostramos as várias faces de lá, o lugar é uma caricatura do Brasil, com sua beleza e podridrão." Com essa premiação, O Rappa desbancou o quase inabalável sucesso dos Raimundos. Os grupos são da mesma gravadora, a WEA, mas trilham sonoridades diferentes. Será que essa opção do público, que não elegeu neste ano o besteirol dos Raimundos, é um pequeno sinal de que se pode celebrar música além da que está nas mãos da indústria fonográfica? Lenine, que concorreu à categoria MPB, vencida por Marisa Monte, acredita que sim. "O videoclipe, mesmo sendo um produto elitizado, pode alavancar coisas boas, como a valorização do cinema nacional e, sem dúvida a musical, que, ao menos, é mostrada aqui, coisa rara nas nossas rádios." No entanto, a entrega do prêmio de pagode para o grupo Os Travessos mostra que a força do videoclipe não é suficiente para alavancar a boa música. "Fazemos um pagode do tipo mais aberto, que mistura black music", diz Chorão, integrante do grupo. "Não dá para ficar no samba antigo; se a gente fizesse esse tipo, não teria esse reconhecimento." Não é só o telespectador que prefere Os Travessos. "Acho muito melhor o pagode e o axé, que pelo menos são MPB, melhor do que o rap, acho chato o Yo!", afirma Haroldo, integrante do Skank, que levou prêmio de melhor videocplie pop. Para Xis, rapper que venceu com a música Us Mano e as Mina, o rap ainda é mal-entendido em razão de concorrer só a uma premiação. "Ele deveria entrar em outras, como edição e MBP; o clipe do MV Bill é tão bom quanto o do Rappa", diz. "Esse Rock in Rio será uma mentira se não trouxer os Racionais." Yuka também aposta que o rap será a grande vedete do VMB de 2001. "Na real, cara, esse prêmio é todo igual", diz Marcelo D2, referindo-se às várias categorias da premiação, pouco distintas, por causa da baixa criatividade. Monique Evans, que apresentou o melhor videoclipe de axé ao lado de Rodriguinho dos Travessos, dá uma sugestão sobre as categorias. "Adorei participar, mas tá faltando música gospel, evangélica", opina. "Tem uma garotada fissurada por isso, é demais, e supercomercial." Marisa Monte ganhou o prêmio de melhor website e MPB. O Skank garantiu o troféu na categoria pop, enquanto Los Hermanos levou o de revelação. Golden Shower ficou com o prêmio de música eletrônica e Daniela Mercury, o de axé. Outros vencedores foram Radar Tantã, na categoria democlipe; Pato Fu, pela direção de arte; e Andrea Marquee, pela animação.

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