Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Mangueira vem a São Paulo mostrar poder de fogo

Show de Verão reúne Maria Bethânia, Chico Buarque, Fafá de Belém, Elba Ramalho, Alcione e Fernanda Abreu

Julio Maria, O Estado de S.Paulo

16 Fevereiro 2017 | 00h30

A escola de samba Estação Primeira de Mangueira veio a São Paulo dar uma demonstração de poderio. A única agremiação a fazer uma festa de luxo pré-carnaval cobrando até R$ 400 de entrada tem garotos propaganda de peso, todos liberando cachês para ajudar a verde rosa. A história da Mangueira garante um longo espetáculo, com intérpretes e compositores de peso.

O tema do ano é o sincretismo religioso, que será defendido na avenida, e que abriu o leque nos repertórios costurados pelo diretor Tulio Feliciano.

 A abertura foi feita com Maria Bethânia cheia de emoção, cantando Emoções, de Roberto Carlos. Em frente a uma orquestra de 12 músicos, Bethânia, bastante inspirada, cantou Vento de  Lá/ Embelezar, Reconvexo e lembrou do samba campeão de 2016, que a homenageou com A Menina dos Olhos de Oya. O som começou desacertado, com músicos da banda pedindo retorno e a própria Bethânia incomodada. Ainda assim, ela fechou em clima de comoção, cantando o refrão da música e prometendo lembrar dele sempre que alguma dor a incomodasse.

Tantinho da Mangueira veio depois, lembrando sambas antigos da escola, puxados por Folhas Secas

Ele passou então o bastão para Leci Brandão, durante a clássica Exaltação à Mangueira. Leci puxou a segunda, Santas Almas Benditas, pregando contra a intolerância religiosa e pedindo respeito aos terreiros. Ela foi ainda à Bahia trazer Deus do Fogo da Justiça.

Fafá de Belém chegou com um carisma arrebatador. Cantou O Sol Nascerá em tom sofrivelmente mais baixo que sua zona de conforto e chorou muito ao cantar para Nossa Senhora de Nazaré, lembrando da festa do Cirio. Estava tudo justificado pelo tema que a Mangueira prepara para a avenida.

Antes de sair, ela chamou a cantora Rosemeire, a mais equivocada atração da noite. Desafinada, ela cantou Nossa Senhora e fechou com Jesus Cristo, de Roberto Carlos. Mas foi tudo bastante triste.

Depois vieram ainda Sombrinha, Mariene de Castro (com uma bela É D'Oxum) e Fernanda Abreu, a melhor do bloco, cantando Jorge da Capadócia, de Jorge Benjor. 

A surpresa foi sua sucessora, que não havia sido anunciada antes. Elba Ramalho já tinha a plateia nas mãos quando começou a cantar Sebastiana, de Jackson do Pandeiro. Elba também reclamou muito do som, irritada, aparentemente sem nenhum retorno. De Volta Pro Aconchego, de Dominguinhos, fez a casa lotada cantar. Elba lembrou de São Francisco de Assis e cantou sua oração famosa, feita há 700 anos. Foi bonito, e a essa altura o encontro da Mangueira já ganhava um ar de missa. De São Francisco, ela faz Ave Maria, com toda a devoção católica de sua vida.

Ela faz um breve discurso e, então, chama Chico Buarque, que chega diante de uma plateia de pé para cantar O Que Será Que Será. Eram agora muitos celulares erguidos ao alto, ficando evidente que boa parte do público estava ali aguardando Chico. O som era sofrível, fazendo a voz desaparecer por alguns momentos. Ainda com a voz baixa, cantou O Meu Amor para receber Alcione, no primeiro encontro no palco dos dois. Mais ovação e uma injustiça. É impossivel dividir um palco com Alcione. Sua voz, por mais que ela se segure, sempre irá fazer qualquer parceiro desaparecer. Ave Maria do Morro veio em seguida, na apresentação carnavalesca mais católica da história. 

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