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Mais de 40 anos após início, Kiss turbina show e fala do festival que estrela em abril

Vocalista da banda americana conversou com o 'Estado'

Entrevista com

Paul Stanley

Jotabê Medeiros, O Estado de S. Paulo

13 Março 2015 | 03h00

A bordo de uma nova superprodução de palco denominada The Spider (A Aranha), composta de 38 computadores, 220 luzes automatizadas, 400 mil watts de som e com um show de fogos de artifício com 900 peças pirotécnicas, volta ao País no domingo, 26 de abril, como atração do festival Monsters of Rock, a banda norte-americana Kiss.

Em novembro de 2012, o Kiss tocou no Anhembi para 25 mil pessoas, uma multidão de fãs mascarados, o Kiss Army, que os acompanha desde 1974 (quando lançaram o primeiro disco). Gene Simmons (voz e baixo), Paul Stanley (voz e guitarra), Thommy Thayer (guitarra e voz) e Eric Singer (bateria, percussão e vocais) levam adiante uma espécie de pedra filosofal do rock’n’roll.

Paul Stanley (nome verdadeiro: Stanley Harvey Eisen), membro fundador, lançou no ano passado uma autobiografia, Face the Music: A Life Exposed, na qual escandalizou muita gente pela franqueza e honestidade com que descreve sua relação com os outros integrantes do grupo. Stanley, que assumiu desde o princípio a persona Starchild (com uma estrela pintada no rosto), conta que sofreu preconceito de colegas. Na quarta-feira, Stanley falou ao Estado por telefone.

Desta vez, vocês estão voltando para um festival, no qual tocarão com astros: Ozzy, Judas Priest, Motorhead, Manowar. Quais as expectativas para o encontro?

Não tenho ideia. Acho que todo mundo está ansioso para tocar, como nós estamos. Temos uma longa história e uma lenda para sustentar, e estamos chegando para celebrar. Não posso falar pelas outras bandas, mas espero que eles não desapontem ninguém. Eu sei que nós não desapontaremos.

No ano passado, você lançou sua autobiografia, Face the Music. A certa altura do livro, você pergunta: “Estarei eu vivendo em um asilo de insanos?”. Como se sente fazendo parte de uma banda por 40 anos?

Eu acho que o tempo fala por si mesmo. A ideia de qualquer coisa que possa durar décadas é incrível. Eu trabalhei duro para ter essa continuidade, trabalhei duro para construir a lenda do Kiss, e estou muito orgulhoso do que conseguimos. É uma honra termos fãs que tenham nos seguido por 40 anos em vez de por 4 dias. Então não importa mais nada, dar orgulho a essas pessoas é uma obrigação para mim.

Você está no Twitter agora. Acha que as redes sociais podem potencializar a fama de um grupo?

Não sei. Acho que, para mim, é um jeito de me manter em contato com os fãs internacionalmente. Tento tuitar quantas vezes possível em um dia, me mantenho em contato com as pessoas, deixo todo mundo saber o que está havendo comigo, o que estou pensando. Mas as mídias sociais, em termos de ajudar a criar uma banda... Elas não têm a seriedade que deveriam ter para isso. Não acho que possam ajudar. O único jeito de criar algo grande, para mim, ainda é o boca a boca. É gente. Tornar alguém conhecido a internet pode fazer, mas é gente tocando na frente de um monte de gente. Nem mesmo a televisão pode ser um substituto para isso. Todos esses reality shows, os talent shows, podem ser muito bons. Mas mesmo para os juízes, o que funciona é ver a banda tocar. Se você não conhece o seu ofício. E, para aprender o seu ofício, você leva anos tocando, ensaiando. Não o aprende na televisão. A ideia de que se pode criar uma grande banda, ou um grande cantor, por esses caminhos... Claro, há algumas exceções, mas em geral isso não é realístico. Na América, nós tivemos Carrie Underwood, uma das maiores artistas country do País no momento. Tivemos também Kelly Clarkson. Mas, além delas, todos foram esquecidos. Então não importa. O domínio da arte do entretenimento em um show pertence ao entertainer.

Paul, qual foi sua primeira memória como um membro do Kiss, quando era um jovem músico?

Tenho muitas. Mas a primeira realmente importante foi o dia após o nosso primeiro show juntos, os quatro integrantes originais. Foi quando a gente se deu conta: “Isso é mais que música, isso é uma explosão”. 

Após 40 anos cantando Detroit Rock City, Hell or Hallellujah, Calling Dr. Love, você ainda se sente motivado no palco? Encontra entusiasmo para cantar essas canções de novo e de novo na frente de públicos do mundo todo?

É uma honra ter a habilidade de cantar essas canções toda noite. Todo mundo sente quando você não tem tesão por uma música, e isso faz com que você não mereça o respeito de uma plateia. Eu tenho orgulho de tocar essas músicas. E cada vez que as canto, é como se fosse a primeira vez.

Em sua biografia, você, que é judeu, acusou seus ex-colegas, Ace Frehley e Peter Criss, de antissemitismo. Como foi viver com uma coisa tão terrível durante tantos anos?

Sim, é verdade. Foi um infortúnio. Com tantas coisas legais, é triste que esse seja o único ponto baixo na carreira. Eles deveriam ter demonstrado sua gratidão pela posição que nós todos alcançamos. Tivemos a sorte de conquistar o sucesso e a adulação dos fãs, que foi um crime e um pecado jogar fora isso, ou não ter demonstrado no tempo certo o respeito àquilo que fizemos por merecer.

O que mudou no seu show de três anos para cá?

Claro! Nosso show está sempre mudando. Veja, toda banda com dinheiro pode ter smoke machines, lasers, pode ter tudo que quiser no palco. Você pode fazer um show parecido com o do Kiss, mas nunca será o Kiss. Então, não importa quem você esteja vendo no palco, é possível fazer um show ao estilo do Kiss. Nós já vimos muitos. Mas nunca será o Kiss lá em cima. Só a gente tem essa capacidade.

Muitas novas bandas abriram para vocês nesses últimos anos. O que acha do novo rock’n’roll? Alguém o impressionou?

Honestamente, novas bandas são boas, mas ainda estou à espera de algo incrível. A última grande banda que aconteceu, mas não posso mais chamar de nova, foi o Foo Fighters. Isso já tem 20 anos.

Você gosta de hip-hop e R&B, essas coisas que mais tocam hoje em dia?

Adoro R&B, mas essa porcaria que toca no rádio não é R&B. É lixo. Não é feito por pessoas nem por instrumentos musicais, mas pessoas com computadores. R&B é The Four Tops, The Temptations, Otis Redding, Stevie Wonder, James Brown. O lixo que toca hoje, que bom que as pessoas gostam, mas eu acho que é uma vergonha que as pessoas tenham perdido a conexão com a música real feita por pessoas reais. Você nunca poderá substituir paixão por perfeição.

Após tantos anos vindo tocar no Brasil, o que acha de mais especial por aqui?

A coisa mais especial é a paixão do povo. Têm coração e fogo, e entendem o milagre da vida, como desfrutar dele e celebrá-lo. Isso é muito especial.

MONSTERS OF ROCK

Arena Anhembi. Av. Olavo Fontoura, 1.209. Dias 25 e 26/4, a partir de 12h. R$ 700 (passaporte para todos os dias) e R$ 400 (por dia). Inf.: 4003-1212 - www.ingressorapido.com.br

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