MARCOS HERMES/DIVULGAÇÃO
MARCOS HERMES/DIVULGAÇÃO

Madeleine Peyroux se apresenta em São Paulo

Cantora festeja 20 anos de carreira com coletânea e show beneficente

Entrevista com

Madeleine Peyroux

Ubiratan Brasil, O Estado de S. Paulo

20 Maio 2015 | 03h00

Desde 1996, a cantora norte-americana Madeleine Peyroux divulga sua voz sedutora em álbuns delicados, bem cuidados. Em comemoração aos 20 anos de carreira, ela lançou a coletânea Keep Me in Your Heart for a While, e faz o show do projeto TUCCA Música pela Cura, hoje, às 21 h, na Sala São Paulo. Sobre o momento, ela respondeu às seguintes questões.

Seu álbuns mais recente traz quase 30% do que você já gravou. Como foi a escolha?

Sim, é sempre difícil pensar em sua vida e no trabalho de sua vida, mas eu tinha de tentar escolher o ‘eu’ melhor. Assim, o que fiz foi escolher as canções de que mais gosto, e as canções que acredito que outros mais amam. Tocar ao vivo me ensina mais sobre música a cada dia, por isso não há certo ou errado, há somente música e silêncio.

Há uma profusão de cantoras de jazz surgindo ultimamente: Ingrid Lucia, Leah Chase, Judy Spellman. Algumas já veteranas, mas procurando seu espaço. É um fenômeno real?

Obrigada por ter mencionado minha cara amiga e artista maravilhosa Ingrid Lucia. E, sim, claro, é um fenômeno real: porque mulheres são reais, música é real, e amor é real. Se você acredita nessas coisas, então me compreende. E sou muito grata de ser uma mulher hoje, no mundo ocidental, moderno. Não há nada mais assustador que ser uma mulher em qualquer outro tempo ou lugar.

Nina Simone era tão “Chanson Française” que decidiu viver na França para assimilá-la melhor. Sarah Vaughan não chegou a esse ponto, mas gravou com Michel Legrand. Qual é a importância, em sua opinião, da “canção francesa” para a música?

Nina Simone não viveu na França por seu amor pela canção francesa. Creio que está enganado. Nina Simone viveu na França porque era uma mulher de pele negra nos EUA no tempo que eu espero que um dia acabe, isto é, espero o fim da cultura racista que ignorou, maltratou e abusou de nossa maneira americana de viver durante séculos. A música que eu canto, a música que cada americano ama, vem da cultura negra primitiva, um casamento de harmonia europeia, espírito americano e espírito africano. Se o Haiti deve sofrer como está sofrendo agora, como se pode dar ao governo francês uma reputação cultural? 

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