Serjão Carvalho/ Estadão
Serjão Carvalho/ Estadão

Lollapalooza 2017: The Weeknd 'frita' o público com pop cheio de malícia

Cantor canadense encerrou as atividades do palco Onix do festival neste domingo, 26

Pedro Antunes, O Estado de S.Paulo

26 Março 2017 | 20h19

Uma procissão se dirigia ao palco Onix, o mais isolado de toda a área do Lollapalooza, ao fim da tarde deste domingo, 26. Lá, às 19h, com alguns minutos de atraso, se apresentaria The Weeknd, cantor canadense em seu primeiro show no País. 

Weeknd, até o ano passado, era um cantor com influências de R&B dono de um pop obscuro, cheio de referências a noitadas pesadas, regadas a drogas, garotas e que sempre levavam a uma ressaca moral. Ele era o bad boy, à beira do pop mainstream. Fazia dançar, sim, mas não tinha saído da própria bolha. Rompeu-a com o álbum Beauty Behind the Madness, do ano passado. Com o hit Can't Feel My Face, atingiu o estrelato ao cantar sobre uma fixação - alguns dizem ser um amor, outros interpretam como o vício em cocaína. O real significado pouco importa. The Weeknd é, hoje, um dos cantores mais cools do pop. 

E tem razão para isso, como a performance no Lollapalooza mostrou. Ele não precisa de batidas fáceis e versos assobiáveis. Ele trunca tudo, mas ainda é capaz de fazer dançar. Com o mais recente disco, Starboy, ele foi além. Fez parcerias com Daft Punk, entre outros, para se reinventar. A malícia perdeu força, é verdade, mas ainda funciona ao vivo - se alguém duvida, deveria ter assistido à apresentação de Starboy, a música, que abriu o show, um petardo daqueles. 

E ele canta, de verdade, diferentemente de outros ícones do pop, ou até mesmo de Simon Le Bon, do Duran Duran, que se apresentou horas antes, que mais parecia com o Zezé Di Camargo, com a necessidade de apoio de backing vocals o tempo todo. Com a banda de apoio escondida, Weeknd segura o show sozinho - mesmo no miolo da apresentação, quando ele prefere fazer uma regressão ao período no qual ele era menos popular e, suas canções, mais trap, lentas e pesadas. 

Quando ele parte para o pop puro, como quanto executou Can't Feel My Face, é certeiro. Frita o público, no melhor uso da gíria. 

The Weeknd é o pop dos bons, que rompe barreiras. Agora, convenhamos, é mais comercial que os tempos de suas mixtapes lançadas antes da fama, mas ele ainda injeta potência maliciosa na dança - quanto mais, melhor. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.