Sergio Castro/Estadão
Sergio Castro/Estadão

Lollapalooza 2017: The Strokes mostra que a revolução do rock de garagem está velha, mas não morta

Banda encerrou as atividades do festival neste domingo, 26

Pedro Antunes, O Estado de S.Paulo

26 Março 2017 | 22h01

Pois é, o tempo voa. 

É fácil se lembrar de 2001, quando o The Strokes realmente se tornou uma banda popular. Era pouco antes dos acontecimentos de 11 de setembro e as Torres Gêmeas estavam intactas, como maiores representantes do "american way of life" moderno. E, do Brooklyn, vinha uma banda da qual todos falavam. Eles eram sujos, despreocupados. Riquinhos que viviam o rock sujo do fim dos anos 1960, com todos os males da época. 

Era, de certa forma, nostálgico. Emulavam o melhor do Velvet Underground, em um tempo em que a internet ainda engatinhava. 

Esses garotos, contudo, tomaram conta do mundo. O Strokes foi responsável pela última revolução do rock. Injetaram o que quer que fosse a droga na veia do rock. Sujaram tudo. E, convenhamos, isso fez um bem danado para a música - Arctic Monkeys que o diga. 

A banda se separou, contudo. Voltou para turnês esporádicas. Ano passado, soltaram quatro músicas. Elas reverberavam os anos 1980, cheias de sintetizadores, muito diferente da safra inicial, crua e guitarreira. 

Eles voltaram. Um novo disco deve chegar em breve. Ainda bem. O rock precisa de uma injeção de ânimo, como o Lollapalooza mostrou. Depois de um show quente do The Weeknd, a banda precisou suar para manter a atenção daqueles que permaneceram no Autódromo de Interlagos. 

Vieram hits, outras menos conhecidas, tudo para satisfazer um público que, embora diminuto se comparado àqueles presentes no show do Metallica na noite anterior, era sedento pelo material esquisito, no bom sentindo.  

O The Strokes vive. Pode ser nostálgico, sim, mas a banda mostrou que ainda tem o que mostrar. A guitarra ainda precisa distorcida e, às vezes, errada. Os vocais tortos de Julian Casablancas são necessários. O The Strokes fez o terceiro show no Brasil, o melhor deles. Eles se divertiam ao executar aquelas canções, antigas ou não. E provaram que o mundo ainda precisa do desleixo sonoro do The Strokes. Que um novo disco venha em breve. 

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