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Cultura

Lollapalooza

Lollapalooza 2016: Alabama Shakes promove peregrinação e comprova o hype

Banda, com dois discos elogiados pela crítica, leva multidão ao palco isolado

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Pedro Antunes,
O Estado de S. Paulo

13 Março 2016 | 18h06

Desde o palco Axe, onde se apresentava o integrante do Strokes Albert Hammond Jr., do outro lado do Autódromo de Interlagos, a peregrinação seguia. Era o meio da tarde desse domingo, 13, e o Alabama Shakes, banda que foi do encontro do soul com southern rock do primeiro álbum para algo mais ruidoso e desesperado no segundo, estava prestes a subir ao palco Onix Stage. 

Até o sol parece ter feito a peregrinação para ouvir Brittany Howard, vocalista da banda, uma das melhores vozes a surgir nos Estados Unidos nos últimos 20 anos. A garoa fina que caía, transformando terra fofa em lama, foi embora. E, mesmo que por poucos minutos, as nuvens desapareceram, dando espaço para um sol imprevisto. Capas de chuva foram embora, trocaras pelos óculos escuros. 

Tudo para presenciar o que o Alabama Shakes é capaz de fazer sobre o palco. A garganta larga de Brittany funciona como uma caixa acústica para as suas cordas vocais. A voz sai grave, poderosa. Não é límpida, pelo contrário. Brittany canta do fundo, de voz rasgada, como se o som viesse de um canto obscuro, no qual o desespero fica alojado e, quando abre a boca, ela solta essas angústias aprisionadas para o voo livre. 

Hold On, hit do disco Boys & Girls, a estreia da trupe, ainda é o cartão de visitas para o grande público. É também mais melódica do que o punhado de canções gravadas no segundo disco, assobiável, e também autobiográfica. "Nunca achei que chegaria aos 22 anos de idade", canta Brittany, confessando seu desespero. A banda não tem mais executado a faixa nos shows em grandes festivais pelo mundo. Mas acrescentou-a no repertório para esse retorno ao Brasil. 

Sound & Colour, disco lançado no ano passado e listado como um dos melhores de 2015, é ainda mais poderoso ao vivo. O ruído do álbum combina com ambiente de festival. Soa mais viceral. I'm Yours, por exemplo, cresce na performance no palco. 

Há quem diga que as canções do novo disco tem versos repetitivos, pouco inspirados. Mas a realidade é outra. São canções mais desesperadas. Brittany urra de dor, pede pelo fim das brigas em Don't Wanna Fight No More, e clama pelo amor do companheiro em Gimme All Your Love. E o faz como se a própria vida dependesse disso. 

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