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Carlos Hyra/Divulgação

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‘Loki’ ou ‘bolor’, Arnaldo Baptista é essência da psicodelia tropical

Nunca houve meio termo para o ex-integrante da banda Os Mutantes, que lança caixa com cinco discos

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Pedro Antunes,
O Estado de S. Paulo

04 Janeiro 2016 | 06h00

Arnaldo Baptista viveu seus anos mais criativos com intensidade maior do que qualquer um poderia esperar. Jogou-se de cabeça na psicodelia, na dor de suas canções, nos versos ora mirabolantes, ora geniais. Nunca houve meio termo para o ex-integrante de Os Mutantes. Se, no trio formado ao lado do irmão mais novo Sérgio Dias e de Rita Lee, com quem manteve um relacionamento também intenso, as invencionices de Arnaldo eram divididas, repartidas ou até podadas, a carreira solo, iniciada com o potente Loki?, de 1974, mostrou o músico na sua totalidade, entre erros e acertos.

Loki? é um alicerce fundamental para a formação do que hoje se conhece como rock psicodélico brasileiro, mesmo que em muitos momentos a guitarra fosse substituída pelo piano, instrumento dominado com maestria por Arnaldo. É daqueles álbuns que qualquer garoto ou garota precisa girar na sua vitrola e estudar, aprender. Embarcar nessa viagem com o disco voador de Arnaldo é daquelas experiências transformadoras, desde que se tenha as informações necessárias para perceber o disco como um grito de desespero. A ruptura, o coração partido motivam emoções jorradas sem filtros, em Será Que Eu Vou Virar Bolor?, Uma Pessoa Só, Te Amo Podes Crer e a trágica Desculpe.

Filho de uma compositora e pianista, Arnaldo transpira a virtuose no instrumento da mãe, assim como brinca jocosamente com a voz, como um cantor lírico com uma forte gripe. A experimentação foi levada adiante nos discos solos de Arnaldo, como Singin’ Alone e Disco Voador: Paz, e depois com a banda Patrulha do Espaço, quando Arnaldo segue um caminho trilhado por psicodélicos mundo afora: deixou as viagens sonoras e aceitou pisar por caminhos mais progressivos. As obras mais relevantes na carreira dele estão naquele álbum de 1974. Fragmentos trêmulos, pequenos gritos de socorro. Oito anos depois vem a queda e, com elas, as sequelas. Arnaldo temia a loucura, temia “virar bolor”. Frágil, fugiu como conseguiu. 

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