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POOL | REUTERS

ENTREVISTA: Lionel Richie

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Lionel Richie, ícone do R&B e pop romântico, comemora revival e volta ao Brasil em março

Os últimos dois anos têm sido proveitosos para o músico que viveu seu auge como cantor de soul ao integrar o Commodores e, nos anos 1980, já em carreira solo

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Pedro Antunes

24 Fevereiro 2016 | 04h00

Lionel Richie não inicia uma conversa telefônica com “hello”. Talvez não o faça desde 1984, quando a canção que levava a saudação como título estourou nas rádios românticas de todo o planeta. Quem sabe alguém respondeu, do outro lado da linha, com o verso seguinte: “It’s me that you looking for”, e o tirou do sério? Ou, ainda, imaginou que Richie faria a piada e ela nunca veio.

Conjecturas à parte, o músico de 66 anos se precipita, apressado, nas introduções para a entrevista, repete o nome daquele que está do lado de cá da linha, inicia uma rápida troca de amenidades.

Os últimos dois anos têm sido proveitosos para o músico que viveu seu auge como cantor de soul ao integrar o Commodores e, nos anos 1980, já em carreira solo. Em 2015, foi escalado para se apresentar no Glastonbury, prestigioso festival inglês. Depois da boa performance, uma coletânea com canções dele, The Definitive Collection, chegou ao primeiro lugar no Reino Unido – foi a primeira vez dele no topo em 23 anos. No início deste mês, ele foi homenageado durante a cerimônia do Grammy, na qual foi interpretado por artistas de gerações posteriores à dele, como John Legend (que interpretou Easy), Demi Lovato (com Hello), Luke Bryan (com Penny Lover), Meghan Trainor (com You Are), Tyrese Gibson (com Brick House), antes de subir ao palco para interpretar All Night Long.

Richie sabe da boa fase. E quer aproveitá-la. Ele dá início, na América Latina, à turnê All The Hits. De Santiago (Chile), onde ele se apresenta nesta quinta, 25, o músico comenta sobre os novos fãs e a segunda passagem pelo Brasil, que inclui datas em Curitiba (6 de março no Teatro Positivo), Rio (dia 8, na HSBC Arena) e São Paulo (dia 9 de março, no Ginásio do Ibirapuera). Confira:

A sua única vez no Brasil foi há seis anos. O que você lembra daquela noite em São Paulo?

Posso dizer que lembro de tudo. Quero dizer, imaginava que a língua deveria ser uma barreira, afinal, só falo inglês, mas percebi que o público fala melhor do que eu! Lembr0 que as pessoas sabiam todas as músicas e dançaram o show inteiro. E eu ficava pensando: mesmo para um cara que nunca veio, aquilo parecia uma reunião de família. Isso sem mencionar as pessoas lindas que estavam na plateia. Sabe, se você vai cantar uma canção de amor, que seja para pessoas lindas como aquelas.

O título da turnê, All The Hits, já entrega exatamente o que podemos esperar, certo?

Vamos fazer uma hora e meia, duas horas de hits, sem nada a mais. Não há pirotecnia, pessoas voando. Não, queremos que o público tenha a melhor noite de karaokê da vida deles. Eu brinco: “Vocês pagam para cantar sozinhos?” (risos).

Esses dois últimos anos têm sido muito especiais para você.

Sim. Acho que conseguimos (o sucesso) pela terceira vez. Com o Commodores, na carreira solo e agora, com Grammy e o Glastonbury, onde o público tinha entre 15 e 30 anos. É uma terceira geração de fãs. E eles querem ouvir essas músicas.

E o Grammy marcou o encontro com uma nova geração de músicos também, não?

Certamente. Estava sentado ao lado de Bruno Mars, de Adele. E você percebe, no rosto deles, o impacto desse encontro. Eles nunca me viram, só me ouviram. Quando isso aconteceu, foi mágica. Eles se apaixonaram.

Em serviços de streaming, que são majoritariamente usados por um público mais jovem, quatro das suas músicas mais tocadas são do disco Can’t Slow Down, de 1983. Acho que essa informação diz muito sobre o gosto dessa geração, não?

É um disco muito forte, mesmo. Acho que só a faixa que dá nome ao disco não foi um sucesso. Mas o melhor dessa história é saber que muitas dessas músicas tocaram nos casamentos das pessoas (risos).

Provavelmente tocou no meu, mas confesso que não lembro. 

Se posso dizer uma coisa, acho que nenhum noivo se lembra das músicas que tocaram nos próprios casamentos. Eu, inclusive, não lembro (risos).

Adele lançou uma música com o mesmo título de um dos seus maiores sucessos. O que achou?

Acho que Adele fez as pessoas se lembrarem da minha música. Ela foi esperta, na verdade. Ela sabia que Hello era Lionel Richie.

E assistiu ao vídeo que une o seu clipe de Hello com aquele da Adele?

(Risos). Assisti. Aquilo rodou o mundo. E fez as pessoas voltarem à essência. Adele fez da música um hit de novo. Ela disse “Hello”. E agora querem o meu Hello.

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