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Bruce Barton | AP

Kanye West e o confuso lançamento do seu novo disco

‘The Life of Pablo’ é um sucesso, mas nada está claro a quem quer ouvi-lo

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Jon Coscarelli,
New York Times

20 Fevereiro 2016 | 16h00

Desde a semana em que Kanye West lançou seu novo álbum, The Life of Pablo, com um desfile de moda extravagante no Madison Square Garden, a música ganhou páginas de críticas, foi apresentada no programa Saturday Night Live e inspirou uma crítica de Taylor Swift no palco do Grammy Awards.

Em termos de atenção do público, The Life of Pablo (DefJam) é um grande sucesso. O único problema é que não está à venda. Segundo Kanye West, o álbum nem foi concluído.

Depois de encerrar sua excelente atuação no programa Saturday Night Live, anunciando que a música estava à venda digitalmente em kanyewest.com e poderia ser objeto de streaming no serviço de música Tidal, do qual ele é sócio, o voluntarioso West rapidamente tirou a versão comercial e passou a comunicar suas intenções ambivalentes no caso do álbum em postagens no Twitter.

Mas o nada convencional, e sob alguns aspectos sem precedentes, lançamento do álbum deixou alguns fãs sem poder fazer os downloads pelos quais já haviam pago, ao mesmo tempo que serviços de streaming como Apple Music e Spotify continuam na dúvida sobre quando – ou se – The Life of Pablo estará plenamente disponível.

Milhares de fãs que se apressaram para pagar US$ 20 para fazer o download do disco não receberam os arquivos, apesar da cobrança feita pelo Tidal. As queixas foram muitas. Na segunda-feira, o serviço informou os clientes de que “uma versão parcial do álbum está disponível para streaming no Tidal.com, mas o download ainda não”.

“A versão final do álbum será liberada nos próximos dias”, continua a mensagem, oferecendo um reembolso para os que perderam o interesse”.

Kanye West anunciou no Twitter que havia “decidido não vender o álbum por mais uma semana” e insistiu junto aos seus 19 milhões de seguidores para assinarem o serviço Tidal, que é de propriedade do seu antigo colaborador Jay Z. E declarou também que The Life of Pablo nunca estará na Apple. E jamais estará à venda... “Vocês só o conseguirão no Tidal”.

Outros serviços de streaming estão no aguardo do álbum. Spotify, que tem 20 milhões de assinantes, informou em comunicado que “espera tê-lo em breve”.

No local do Spotify destinado ao álbum há uma mensagem: “O artista ou seus representantes decidiram não lançar este álbum no Spotfy até agora. Estamos trabalhando neste sentido e esperamos que a decisão deles mude em breve”.

A mesma nota foi usada para álbuns de Adele e Taylor Swift, que se recusaram a autorizar a colocação de sua música no serviço. DefJam, o selo de Kanye West, não comentou o assunto. Mas fonte próxima do músico disse que um plano, incluindo uma possível edição de luxo, está em andamento.

Nesse ínterim, The Life of Pablo se tornou um sucesso enorme nos websites piratas de música. Torrent Freak, site que monitora notícias sobre direitos autorais, e o Bit Torrent, estimam que na terça-feira o álbum já havia sido baixado ilegalmente mais de 500.000 vezes.

Nielsen, que monitora as vendas oficiais e dados de streaming usados nos rankings semanais do Billboard, também viu seu sistema interrompido pela distribuição inusitada de um artista superstar. “Estamos reexaminando os detalhes dessa distribuição e não sabemos ainda como a Nielsen informará suas vendas”, declarou a empresa em comunicado.

Similar confusão ocorreu nos rankings no início deste mês quando do repentino lançamento do novo álbum de Rihanna, Anti. Depois de um vazamento online, o álbum digital foi baixado um milhão de vezes num acordo de patrocínio feito com a Samsung e com streaming exclusivo no Tidal por uma semana, mas a Nielsen colocou-o somente no 27º lugar no ranking da Billboard, com menos de mil cópias vendidas durante a primeira semana de vendas (o álbum teve 124.000 cópias vendidas e 14,2 milhões de audições via streaming na segunda semana, alcançando o primeiro lugar).

Para complicar mais as coisas para West, seu álbum foi objeto de encomendas prévias para fãs que compraram entrada para assistir ao evento no Madison Square Garden, que foi apresentado em centenas de salas de cinema em todo o país.

Jason Nunn, 23 anos, disse que junto com o bilhete que custou US$ 25 para assistir ao desfile e o lançamento do álbum ao vivo de Springfield, Missouri, ele pagou mais US$ 10 para fazer um download do álbum no seu lançamento. A empresa See Tickets, que vendeu o bilhete para a exibição nos cinemas, informou aos clientes esta semana “que com o lançamento oficial do DefJam, você receberá um e-mail com um link para baixar sua cópia digital”.

Embora no aguardo, Nunn disse que faz qualquer coisa por um artista como West. “Uma das coisas que admiro em West é que ele é transparente e não tem medo de mudar alguma coisa depois que ele a lançou. “Se isto ocorreu, eu ouvi a gravação, tudo bem para mim”.

No caso de West, ele acrescentou “não acho algo fora do normal”. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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