Rafael Arbex/Estadão
Rafael Arbex/Estadão

'Joesley solto e Rafael Braga na cadeia? Libertem Rafael Braga', diz Emicida em festival em SP

Coala Festival também foi marcado pelos gritos de 'Fora, Temer', de Caetano Veloso

João Paulo Carvalho, O Estado de S. Paulo

13 Agosto 2017 | 03h19

Muitos dos jovens que por volta das 20h30 do último sábado, 12, lotaram o Memorial da América Latina, na zona oeste de São Paulo, não haviam sequer completado 25 anos de idade. Havia ali gente de todas as tribos e estereótipos, das faixas coloridas no cabelo, passando pelas roupas largas que faziam alusão ao estilo hip-hop gourmet. Todos, entretanto, tinham um único objetivo: reverenciar Caetano Veloso, principal atração do Coala Festival, que em 2017 chegou à sua quarta edição.

Quando Caetano compôs boa parte do repertório do show deste sábado, muitos dos que estavam presentes ali nem sonhavam em nascer. Apesar disso, os jovens fechavam os olhos e cantavam as canções em alto e bom som. De Reconvexo à complicada letra de Podres, Poderes, tudo saia na ponta da língua, sem o menor esforço. "Caetanear", dizia a tatuagem de uma das jovens que assistiam à performance do cantor e compositor baiano. A súplica a Caetano é mais do que merecida. É justa e pertinente. Ninguém fez tanto pela música popular brasileira quanto ele. O reconhecimento veio com um público jovem, recém-saído das fraldas, é verdade, porém, admirador de seu trabalho.

Foram poucas palavras. Cinco ou seis no total, incluindo um modesto "Fora, Temer". Com seu velho violão nas mãos, ele disparou os hits um a um. Nosso Estranho Amor, Odara e A Luz de Tieta, Caetano cantou e encantou. Os mais jovens deram o recado: "Conhecemos Caetano muito bem, obrigado". Ainda há esperança.

Nova safra. O hip-hop fez aniversario no dia 11 de agosto e quem foi ao Memorial da América Latina, na zona oeste de São  Paulo, neste sábado, 12, viu de perto o que de melhor o gênero na versão tupiniquim pode oferecer ao grande público. Em uma noite em que Caetano Veloso, que fechou a quarta edição do Coala Festival, foi ovacionado por um público adolescente, o rap também fez bonito.

Emicida, seu irmão mais novo, Fióti , e Rael fizeram uma performance altamente explosiva, política e cheia de rebolado. "Joesley solto e Rafael Braga na cadeia? Libertem Rafael Braga", disse Emicida. Rafael Braga era um morador de rua quando foi preso em 2013, no auge das manifestações de rua no Brasil, acusado de portar uma garrafa de Pinho Sol - sendo detido novamente em 2016 por portar 0,6 g de maconha e 9,3 g de cocaína.

Emicida também falou sobre o preconceito em relação ao hip-hop. "O hip hop foi uma cultura desacreditada no Brasil. As pessoas olhavam na nossa cara e davam risada. Não podemos desistir jamais. Olha a quantidade de gente que tem aqui. Estamos dentro de um sonho coletivo. Você é do tamanho do seu sonho", complementou ele.

Rincon Sapiência, que subiu ao palco um pouco mais cedo, levou suas rimas enfurecidas do recém-lançado Galanga Livre para o festival. O rapper também pediu a liberdade do jovem Rafael Braga. "Liberdade a Rafael Braga!", gritou ele.

Quem abriu os trabalhos do Coala Festival, às 13h30, foi a cantora Liniker e a banda Os Caramelows. Ela cantou sucessos do disco Remonta (2016). A cantora Aíla veio na sequência. Com um pouco de atraso, ela interpretou músicas do álbum Em Cada Verso, Um Contra-Ataque (2016). Tulipa Tuiz, que veio na sequência, apresentou faixas dos CDs Dancê (2015), Tudo Tanto (2012) e Efêmera (2010). Seu pai, Luiz Chagas, e a cantora Liniker também participaram do show.

Problemas de estrutura. Segundo a organização do evento, 12 mil pessoas compareceram ao festival. Por volta das 19h30, os tickets para a compra de comida pararam de ser vendidos. De acordo com os atendentes dos guichês, as filas gigantescas motivaram tal atitude. Pouco tempo depois, entretanto, a situação foi normalizada. As filas, todavia, permaneceram extensas. Às 20h, não era possível encontrar garrafas de água e latas de cerveja e refrigerante nos bares. Os banheiros químicos funcionaram bem e quase não houve fila para utilizá-los. 

 

 

 

 

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